domingo, 21 de fevereiro de 2010

GÊNERO TEXTUAL FÁBULA.LITERATURA - CONCEITUAÇÃO

A FÁBULA
Trabalhando o gênero.
William Roberto Cereja e
Thereza Cochar Magalhães

A fábula é um gênero narrativo ficcional bastante popular e existe há mais ou menos 2800 anos. Quem já não leu ou ouviu uma história curta vivida por animais e que termina por uma moral?Tradicionalmente,as fábulas eram narrativas orais, e não se sabe ao certo quem as criou. Embora muito antigas, continuam a ser contadas e lidas, porque ensinam, alertam sobre algo que pode acontecer na vida real, criticam comportamentos humanos,ironizam os homens.A estrutura da fábula tem servido a muitas versões e reescrituras, muitas delas com intenção humorística.A seguir, você vai ler duas fábulas. A primeira é de Esopo,um escravo grego que viveu no século VI a.C.A segunda é a uma versão moderna da mesma fábula de Esopo, feita por Millôr Fernandes,escritor e cartunista brasileiro contemporâneo.
A GANSA DOS OVOS DE OURO
Um homem e sua mulher tinham a sorte de possuir uma gansa que todo dia punha ovo de ouro. Mesmo com toda essa sorte, eles acharam que estavam enriquecendo muito devagar,que assim não dava. Imaginando que a gansa devia ser de ouro por dentro,resolveram matá-la e pegar aquela fortuna toda de uma vez. Só que, quando abriram a barriga da gansa,viram que por dentro ela era igualzinha a todas as outras. Foi assim que os dois não ficaram ricos de uma vez só,como tinham imaginado,nem puderam continuar recebendo o ovo de ouro que todos os dias aumentava um pouquinho sua fortuna.
Moral:Não tente forçar demais a sorte. (Fábulas de Esopo. Compilação de Russell Ash e Bernard Higton. Trad. Heloísa John. São Paulo:Companhia das letrinhas,1994,p.78.)
A GALINHA DOS OVOS DE OURO
Era uma vez um homem que tinha uma Galinha. Subitamente, em dia inesperado, a Galinha pôs um ovo de ouro.Ouro!Outro dia,outro ovo. Outro ovo de ouro! O homem mal podia dormir. Esperava todas as manhãs pelo ovo de ouro – clara,gema,gala,tudo de ouro!- que o tirava da miséria aos poucos, e aos poucos o ia guindando aos milionarismo. O fato que, antigamente, poderia passar despercebido, na data de hoje atraía verdadeiras multidões. E não só multidões. Rádios, jornais, televisão, tudo entrevistava o homem, pedindo-lhe impressões, querendo saber detalhes de como acontecera o espantoso acontecimento. E a Galinha, também, ia dando aqui e ali seus shows diante dos jornais, câmaras, microfones. Certa vez até, num esforço de reportagem, conseguiu pôr um ovo diante da câmara da TV Tupi. Porém o tempo passou e muito antes que o homem conseguisse ficar rico, a Galinha deixou de botar ovos de ouro.Desesperado, o homem foi ocultando o fato, até que, certo dia, não se contendo mais abriu a galinha para apanhar os ovos que ela tivesse lá dentro. Para sua decepção não havia mais nenhum.
Então o homem – espírito moderno – resolveu explorar o nome que lhe ficara do acontecimento e abriu um enorme restaurante, com o sugestivo nome de Aos Ovos de Ouro.E isso lhe deu muito mais dinheiro do que a Galinha propriamente dita.
Moral:Cria galinha e deita-te no ninho.(Millôr Fernandes.Fábulas fabulosas.12.ed.Rio de Janeiro:Nórdica,1991.p.91-2.)
Questões
1.A fábula é uma narrativa,isto é, um tipo de texto que conta uma história.Compare as fábulas lidas com um conto ou um romance que você leu nas séries anteriores e responda:A fábula é uma história longa ou breve?
2.Embora na maioria as vezes os fabulistas usem animais como personagens de suas histórias,as fábulas podem ter por personagens também pessoas,plantas ou objetos. Na fábula “A gansa dos ovos de ouro”, as personagens são um homem e uma mulher;na de Millôr, as personagens são um homem e uma galinha. Em que a galinha se diferencia das outras galinhas?
3.Compare a fábula de Esopo com a versão de Millôr Fernandes.
a)A partir de que ponto da história Millôr apresenta uma nova versão da fábula de Esopo?
b)Em ambas as fábulas,as personagens perdem a fonte de sua riqueza.Entretanto, o que possibilita o final feliz da fábula de Millôr?
4.As duas fábulas apresentam lugar e tempo imprecisos.
a)Há, na fábula de Esopo, alguma palavra ou expressão que indica o lugar em que ocorreram os fatos?
b)Que expressão da fábula de Millôr indica a imprecisão do tempo?
c)Apesar disso, que frase da versão de Millôr situa a história no mundo de hoje?
5)Tanto uma fábula quanto outra terminam por uma moral, isto é, uma frase que sintetiza as ideias principais do texto e transmite uma ensinamento.
a)Na sua opinião,a moral do texto de Esopo é coerente com a narrativa.Por quê?
b)A fábula de Esopo poderia ter outra moral.Na sua opinião,qual das frases a seguir também sintetizaria a ideia principal do texto?
a)O que é bom dura pouco. B)Quem tudo quer, tudo perde. C)a união faz a força. D)Não adianta descobrir um santo para cobrir outro.
6.Observe as formas verbais empregadas nas fábulas.
a)O narrador é personagem ou observador?
B)Que tempos verbais são normalmente empregados nas fábulas?
7)Observe a linguagem das fábulas em estudo. Que tipo de variedade lingüística foi empregada:a padrão ou uma variedade não padrão?
LITERATURA: CONCEITUAÇÃO.Toda a manifestação artística feita com a palavra recebe o nome de literatura.Esta palavra designa textos que buscam expressar o belo e o humano através das palavras. Embora se tenha amplos significados. Deve-se diferenciar o seu emprego genérico de seu sentido artístico, criativo.A literatura trata de textos que possuem uma preocupação estética, que provoca prazer e conhecimento por seu conteúdo, forma e organização. Por ser uma expressão do homem é um bom meio de comunicação, porque explora todos as partes da linguagem.Ela pode utilizar simultaneamente palavras recursos gráficos ou visuais e é bem vista na comunicação do dia-a-dia. Na televisão, cinema, teatro, shows, DVD, rádio, jornais e até em revistas de quadrinhos.Por que em todos esses campos existe um elemento em comum: a palavra.A utilização da literatura não é de hoje. Na Grécia antiga, Aristóteles, filósofo de destaque, mostrou que a literatura tem também a propriedade de exprimir, mostra sentimentos coletivos, ou seja, de um grupo, sociedade ou de uma época e que os purifica pela expressão escrita, fortes emoções.Esta propriedade chama-se de cartase, ou seja, purificação das emoções. Foi bem explorada por escritores de todas as épocas.Na França, no século XVIII, surgiu outra concepção de literatura: a de ligação entre o homem e o fazer literário, isto quer dizer que, a literatura está intimamente ligada aos aspectos coletivos do homem.Sob esta conceituação, a literatura marcou sua presença em grandes mudanças sociais e políticos. Ela podia com que reinterpretar o mundo, a partir de ações, gestos e palavras de acordo com a situação da sociedade.Por isso, essa associação de inter-relação entre sociedade e literatura, alguns escritores do séc.XIX, viram que havia a necessidade de se compreender a literatura como também em exercício da linguagem da comunicação.A literatura que busca o essencial, o universal, que pode contribuir para a formação dos homens,indicando-lhes a maneira de agir,mostrar os seus prazeres,desejos e outros sentimentos.Isto ajuda o homem a se conhecer melhor.A literatura da a vida, o sentido das palavras, exemplo:Havia um mendigo cego, onde as pessoas que passavam por ele não lhe davam quase nada, mas aí um homem fez a diferença para ele ganhar mais esmolas,trocou o cartaz que carregava com as palavras ”cego de nascença” por outro: “chegará a estação das flores e eu não a vereis”.Com isso nota-se que simples palavras ganham sentimento.LITERATURA E SUAS FUNÇÕES.A literatura pode ser definida como:- Um elemento de catarse;- Um elemento do conhecimento do mundo, tanto do passado, e do presente, como da mentalidade de uma sociedade ou época;- Um elemento essencialmente ligado ao homem, ao seu próprio conhecimento.Em si mesmo, a outros, como um espelho de si mesmo, ou como ele sendo um espelho da sociedade em si;- Um elemento de formação e desenvolvimento em todos os campos do saber: intelectual, moral, ideológico e até estético.CARACTERÍTICAS DO TEXTO LITERARIO:SENTIDOS DAS PALAVRAS.Em um texto literário, dependendo do contexto que uma palavra se encontra, o seu significado pode ser real, ou seja, esta pode ter um objetivo comum a todos.EX: Romeu é cego por isso lê em braile.Este exemplo mostra o valor denotativo da palavra. Aqui no exemplo a palavra cego.Mas esta mesma palavra em outro contexto pode ter outro sentido, ou interpretação.EX: Romeu estava cego de paixão por Julieta.Neste caso a mesma palavra cego tem valor conotativo.Para melhor entendimento, observe:Na denotação aparece:- uma linguagem informativa,objetiva.- Tem por objetivo um conhecimento prático e cientifico.- A palavra é usada no seu real sentido.EX: Ganhei um par de brincos dourados.Na conotação aparece:- Uma linguagem mais afetiva e subjetiva.- tem por objetivo uma apreciação bela e criativa.- A palavra é empregada no seu sentido figurado.EX: Os anos que você esteve ao meu lado, foram anos dourados.ATIVIDADES.01) Indique se as palavras abaixo em destaque estão em sentido denotativo ou conotativo:a) A raiz desta árvore já está afetando a estrutura da casa.b) A raiz de todo o mal da humanidade é a falta de amor.c) Ela é uma víbora perigosa, com suas atividades.d) A víbora é cobra muito perigosa.FIGURAS DE LINGUAGEM.As figuras de linguagem são recursos usados para dar maior ênfase ou sentido á expressão.O estudo dessas figuras ajuda a entender melhor os recursos utilizados pelos escritores em seus textos.Veja algumas das figuras de linguagem mais usadas:COMPARAÇÃO.É uma comparação, ou seja, uma equivalência real entre um comparante e um comparado por meio de um termo de comparação, uma frase,palavra ou locução,que deixa claro a comparação na sentença.EX: Ela é tão feia quanto briga na foice.METÁFORA.A metáfora é uma comparação, mas de maneira indireta, porque não possui em termos específicos de comparação. Ela associa idéias semelhantes, ou seja, usar uma palavra fora do seu contexto normal para fazer parte de um outro contexto.EX: Nosso chefe é um leão.METONÍMIA.Esta é a substituição de um termo por outro com o qual há uma relação de sentido.Essa relação pode ser:- Efeito pela causa.EX: Bebeu a morte.Bebeu veneno- Continente pelo conteúdo.EX: Bebeu dois copos.Bebeu duas doses de wisque- Autor pela obra.EX: Eu li a obra de machado de Assis. Eu li machado de Assis.CATACRESE.É como uma metáfora do dia-a-dia.Seu objetivo é desviar uma palavra do seu sentido próprio para dar nome a outra coisa que não tem nome específico.EX: Braço do sofá. Perna da mesa.EUFEMISMO.É usado para amenizar o que é desagradável, através da substituição de palavras graves e fortes, diretas por outras mais suaves, brandas.EX: Ela passou dessa para melhor. ( quer dizer ela morreu).IRONIA. É uso de palavras, expressões, mas que querem dizer o contrario do que está sendo dito.EX: Com governo honesto e sem corrupção não precisa ter medo do futuro.ANTÍTESE.É usado para opor dois termos na mesma frase ou parágrafo, enfatizando seus contrastes.EX: Quando estou triste, aí que fico alegre.ELIPSE.É quando uma ou mais palavras são omitidas na frase, mas que são subentendidas.EX: Elas todos no quintal de casa.( Quer dizer que elas todas estavam no quintal de casa) o verbo estar ficou em elipse.ANÁFORA.É a repetição de palavras em intervalos regulares no final ou início de frase, serve para enfatizar idéias.EX: Pense em mim. Chore por mim.Liga pra mim.HIPÉRBOLE.Este é o exagero intencional de uma idéia ou sentimento.EX: Ele come feito um leão.PROSOPOPÉIA.É a figura que dá características humanas a seres inanimados, abstratos ou irracionais. Um exemplo comum: são os filmes onde mostram animais com características humanas.EX: O rei leão.Gabarito – Atividades.a) denotação.b) conotação.c) conotação.d) denotação.

Júlio Batisti

FRASE,ORAÇÃO E PERÍODO.SUJEITO - CLASSIFICAÇÃO

Frase,oração e período.
Origem:Wikipédia,a enciclopédia livre.
SUJEITO - CLASSIFICAÇÃO
Frase é todo enunciado linguístico capaz de transmitir uma ideia. A frase é uma palavra ou conjunto de palavras que constitui um enunciado de sentido completo.A frase não vem necessariamente acompanhada por um sujeito, verbo ou predicado. Por exemplo: «Cuidado!» é uma frase, pois transmite uma ideia - a ideia de ter cuidado ou ficar atento - mas não há verbo, sujeito ou predicado.A frase se define pelo propósito de comunicação, e não pela sua extensão. O conceito de frase, portanto, abrange desde estruturas linguísticas muito simples até enunciados bastante complexos.Já a oração é todo enunciado linguístico que tem o nucleo como o verbo, apresentando, desta maneira e na maioria das vezes, "termos essenciais da oração, sujeito e predicado".Ex: «O menino sujou seu uniforme.» O que caracteriza a oração é o verbo, não importando que a oração tenha sentido ou não sem ele. O período é uma frase que possui uma ou mais orações, podendo ser:
• Simples: Quando constituído de uma só oração.Ex.: João ofereceu um livro a Joana.
• Composto: Quando é constituído de duas ou mais orações.
Ex.: O povo anseia que haja uma eleição justa, pois a última obviamente não o foi.
Os períodos compostos são formados por coordenação, por subordinação ou por ambas as formas(coordenação-subordinação).
Tipos básicos de frases
• Frases declarativas: após a constatação de um fato, o emissor faz uma declaração;
• Frases exclamativas: as que possuem exclamação;
• Frases imperativas: as que expressam ordens; proibições; conselhos.
• Frases interrogativas: as que transmitem perguntas;
E ainda há mais dois grupos secundários:
• Frases optativas: o emissor expressa um desejo (Ex.: Quero comer picolé.);
• Frases imprecativas: o emissor expressa uma súplica através de maldição. (Ex.: Que um raio caia sobre minha cabeça.).
Outros tipos de frases
• Frase simples (frase não-idiomática): Do ponto de vista de uma tradução, é a que pode ser traduzida literalmente para uma língua estrangeira. Exemplo português-inglês: Eu quero um copo d’água: I want a glass of water. (NOTA: Em alguns casos, frases simples têm uma diferença mínima em outra língua, geralmente de ordem gramatical.)
• Frase Clichê:São frases que podem reproduzir formas de discriminação social e expressar um modo de pensar as relações sociais,utilizando às vezes fragmentos de provérbios.Exemplos:Lugar de Mulher é na Cozinha, Homem não presta, Ele é um Preto de Alma Branca.
• Frase idiomática ou expressão idiomática: É a que não é traduzida literalmente para outro idioma. No caso, em cada língua a idéia da frase é expressa por palavras totalmente diferentes. Exemplo português-inglês: Ele está na pior. = He’s down and out. (Literalmente: Ele está abaixo e fora).
• Frase feita: É a que, a fim de expressar determinada idéia, é dita sempre de forma invariável. Exemplo: Ele foi pego com a boca na botija. Note-se que às vezes uma frase feita é, ao mesmo tempo, uma expressão idiomática. Por exemplo, a frase feita acima citada é dita em inglês como He was caught red-handed., ou, literalmente: ele foi pego com as mãos vermelhas.
• Frase formal (não-coloquial, não-popular) : É a dita segundo as normas da linguagem padrão ou formal. Esta é usada formalmente por escrito, e em circunstâncias formais também oralmente, em textos não raro mais longos (em relação a textos sinônimos coloquiais), às vezes com palavras difíceis (que não são do conhecimento da população em geral).
• Frase coloquial (coloquialismo) : É a dita de forma coloquial, ou seja, usando-se uma linguagem simples, em geral oralmente, com textos resumidos e informais. Uma frase coloquial pode conter erros gramaticais (uma ou mais palavras não estão na linguagem padrão), mas costuma ser falada por qualquer pessoa, não importa o seu nível social. Exemplos:
Formal: Está certo (concordo).
Coloquial: Tá certo.
dica
Formal: Sou totalmente indiferente quanto a isto.
Coloquial: Tô nem aí.
Formal: Sua afirmação foi encarada com ceticismo.
Coloquial: Não acreditaram no que ele disse.
Formal: Paradoxalmente;
Coloquial: Ao contrário do que todo mundo pensa.
Formal: Ele foi flagrado.
Coloquial: Ele foi pego com a boca na botija.

ANÁLISE SINTÁTICA
Quadro com os termos da oração


SUJEITO
Núcleo e classificação
Da Página 3 Pedagogia & Comunicação
O sujeito, um termo essencial da oração, é de quem (ou do quê) fala o verbo (quem morre? quem foi às compras? quem estava florindo?). Pode ter um ou mais núcleos.No exemplo "Tonico mora no interior de São Paulo", o sujeito da oração - "Tonico" - é composto por uma só palavra. Mas o sujeito pode ser composto por mais de uma palavra.Suponha que disséssemos: "O meu amigo Tonico mora no interior de São Paulo". Qual o sujeito desta oração? "O meu amigo Tonico", isto é, o nome próprio Tonico, precedido pelo artigo "O" e pelo pronome possessivo "meu".Veja as seguintes orações:a) Minha tataravó já morreu.b) As belas modelos do Brasil encantam o mundo.c) O safado do presidente se faz de ingênuo.Os sujeitos de todas elas são expressos por mais de uma palavra.Em a) "Minha tataravô";em b) "As belas modelos do Brasil"; em c) "O safado do presidente". No entanto, uma das palavras que constitui cada um desses sujeitos é mais importante que as demais, pois ela é propriamente o termo sobre o qual se diz alguma coisa. Essa palavra é chamada de núcleo do sujeito. Nos exemplos citados, os núcleos do sujeito são, respectivamente, "tataravô", "modelos" e "presidente".Núcleo do sujeito é, portanto, a palavra principal que forma o sujeito.Classificação do sujeito.Além disso, existem duas categorias ou tipos básicos de sujeito. São elas:
1) Sujeito determinado: É identificado pelo contexto ou pela terminação do verbo (que sempre concorda com o sujeito). São determinados todos os sujeitos que vimos nas três orações acima.Observe que o sujeito determinado pode ser:a) Simples: caso tenha um único núcleo. Exemplo:O tubarão branco está ameaçado de extinção.O sujeito (quem está ameaçado de extinção?) é "o tubarão branco", ou seja, três palavras. Mas o "núcleo do sujeito" é tubarão. Ou seja, não é "o" quem está ameaçado de extinção, nem "branco", mas sim "tubarão". Logo, Núcleo do sujeito: "tubarão". Uma única palavra, sujeito determinado simples.b) Composto: caso tenha mais de um núcleo. Exemplo:
Os tigres e os rinocerontes estão ameaçados de extinção. Núcleos do sujeito: "tigres" e "rinocerontes".c) Oculto, elíptico ou desinencial: caso não esteja expresso na oração, mas possa ser identificado pela terminação (ou desinência) do verbo. Exemplo:
Ficamos abestalhados com tanta corrupção.Veja, a desinência "amos" refere-se à primeira pessoa do plural, "nós".2) Sujeito indeterminado: é aquele que não se pôde ou não se quis apontar e que também não se pode identificar pelo contexto ou pela terminação verbal. O sujeito indeterminado pode acontecer:a) Com o verbo na terceira pessoa do plural não se referindo a nenhum substantivo no plural ou aos pronomes "eles" e "elas" anteriormente mencionados. Exemplo: Bateram minha carteira no ônibus.b) Com verbos intransitivos, transitivos indiretos ou de ligação, na terceira pessoa do singular, acompanhados da partícula "se". Exemplo: Trata-se de um ladrão hábil, de um mão leve..Oração sem sujeito.Apesar de ser um termo essencial da oração, o sujeito pode não existir em algumas orações. São as orações de sujeito inexistente, ou orações sem sujeito. (O mesmo não pode acontecer com o predicado - toda oração possui um).
No caso de orações sem sujeito, o processo que o verbo expressa refere-se a si mesmo e não pode ser atribuído a ninguém.Em geral, são orações sem sujeito:a) As que se referem a fenômenos da natureza. Exemplos:
Anoitece tarde no horário de verão. (pense: "quem é que anoitece tarde no horário de verão?", obviamente, 'ninguém anoitece. A oração não tem sujeito!)Choveu muito ontem. (ninguém chove!)Está trovejando. (o mesmo raciocínio!)b) As que apresentam os verbos "haver", "fazer" e "ser", empregados de forma impessoal, como nos exemplos: Há poucos leitores no Brasil. Faz três anos que me mudei dali. Hoje são oito de fevereiro.A propósito, cabe aqui uma observação: O verbo da oração sempre concorda com o sujeito em pessoa e número. Não se pode dizer, por exemplo, "ela vivemos na Europa", nem "nós vive na Europa". Sendo assim, volte umas linhas, ao item b e note que, embora estejamos nos referindo a "poucos leitores" e a "três anos" o verbo está no singular, assim como ao nos referirmos a "hoje" o verbo está no plural - o que reforça a idéia de inexistência de sujeito.

AS ORIGENS DA LÍNGUA PORTUGUESA

As Origens da Língua Portuguesa
Anônimo*



A língua portuguesa é uma língua neolatina, formada da mistura de muito latim vulgar e mais a influência árabe e das tribos que viviam na região.Sua origem está altamente conectada a outra língua (o galego), mas,
o português é uma língua própria e independente.Apesar da influência dos tempos tê-la alterado, adicionando vocábulos franceses, ingleses, espanhóis, ela ainda tem sua identidade única, sem a força que tinha no seu ápice, quando era quase tão difundida como agora é o inglês.No oeste da Península Ibérica, na Europa Ocidental, encontram-se Portugal e Espanha.Ambos eram domínio do Império Romano a mais de 2000 anos, e estes conquistadores falavam latim, uma língua que eles impuseram aos conquistados. Mas não o latim culto usado pelas pessoas cultas de Roma e escrito pelos poetas e magistrados, mas o popular latim vulgar, falado pela população em geral.Isto aconteceu porque a população local entrou em contato com soldados e outras pessoas
incultas, não magistrados.Logicamente não podemos simplesmente desprezar a influência lingüística dos conquistados.Estes dialetos falados na península e em outros lugares foram regionalizando a língua.Também devemos considerar a influência árabe, que inseriu muitas termos nestes romançosaté a Reconquista.
Este processo formou vários dialetos, denominados cada um deles genericamente de romanço (do latim romanice,"falar à maneira dos romanos").Quando o Império Romano caiu no século V este processo se intensificou e vários dialetos foramse formando. No caso específico da península, foram línguas como o catalão, o castelhano e o galego-português (falado na faixa ocidental da península).Foi este último que gerou o português e o galego (mais tarde uma língua falada apenas na regiãode Galiza, na Espanha). O galego-português existiu apenas durante os séculos XII, XIII e XIV,na época da Reconquista. Após esse periodo foi asparecendo, cada vez mais, diferenças entre o
galego e o português. Este último era falado no sul da faixa ocidental da província, na região de Lisboa.Esta língua consolidou-se com o tempo e a expansão do Império Português.Do século XII ao século XVI falava-se uma forma arcaica de português, ainda com a influência do galego (o português arcaico propriamente apenas desde o século XIV).Foi com essa linguagem que escreveram os trovadores naquela época, enriquecendo a paupérrima (5.000 vocábulos no século XII) língua portuguesa. Esta fase da Língua Portuguesa acaba com a nomeação de fernão Lopes
como cronista mor da Torre do Tombo em 1434.Mas apenas a partir do século XVI, com a intensa produção literária renascentista de Portugal, especialmente a de Camões, o português uniformiza-se e adquiri as características
atuais da língua.Em 1536 Fernão de Oliveira publicou a primeira Gramática da Linguagem Portuguesa,
consolidando-a definitivamente.
História da Língua Portuguesa
A língua portuguesa, que tem como orígem a modalidade falada do latim, desenvolveu-se na costa oeste da Península Ibérica (atuais Portugal e região espanhola da Galiza, ou Galícia) incluída na província romana da Lusitânia. A partir de 218 a.C., com a invasão romana da península, e até o século IX, a língua falada na região é o romance, uma variante do latim que constitui um estágio intermediário entre o latim vulgar e as línguas latinas modernas (português, castelhano, francês, etc.).
Durante o período de 409 d.C. a 711, povos de origem germânica instalam-se na Península Ibérica. O efeito dessas migrações na língua falada pela população não é uniforme, iniciando um processo de diferenciação regional. O rompimento definitivo da uniformidade linguística da península irá ocorrer mais tarde, levando à formação de línguas bem diferenciadas. Algumas influências dessa época persistem no vocabulário do português moderno em termos como roubar, guerrear, etc. A partir de 711, com a invasão moura da Península Ibérica, o árabe é adotado como língua oficial nas regiões conquistadas, mas a população continua a falar o romance. Algumas contribuições dessa época ao vocabulário português atual são arroz, alface, alicate e refém. No período que vai do século IX (surgimento dos primeiros documentos latino-portugueses) ao XI, considerado uma época de transição, alguns termos portugueses aparecem nos textos em latim, mas o português (ou mais precisamente o seu antecessor, o galego-português) é essencialmente apenas falado na Lusitânia. No século XI, com o início da reconquista cristã da Península Ibérica, o galego-português consolida-se como língua falada e escrita da Lusitânia. Os árabes são expulsos para o sul da península, onde surgem os dialetos moçárabes, a partir do contato do árabe com o latim. Em galego-português são escritos os primeiros documentos oficiais e textos literários não latinos da região, como os cancioneiros (coletâneas de poemas medievais) da Ajuda, da Vaticana e Colocci-Brancutti, que fazem parte do acervo da Biblioteca Nacional de Lisboa. À medida em que os cristãos avançam para o sul, os dialetos do norte interagem com os dialetos moçárabes do sul, começando o processo de diferenciação do português em relação ao galego-português. A separação entre o galego e o português se iniciará com a independência de Portugal (1185) e se consolidará com a expulsão dos mouros em 1249 e com a derrota em 1385 dos castelhanos que tentaram anexar o país. No século XIV surge a prosa literária em português, com a Crônica Geral de Espanha (1344) e o Livro de Linhagens, de dom Pedro, conde de Barcelona. Muitos linguistas e intelectuais defendem a unidade linguística do galego-português até a atualidade. Segundo esse ponto de vista, o galego e o português modernos seriam parte de um mesmo sistema lingüístico, com diferentes normas escritas (situação similar à existente entre o Brasil e Portugal, ou entre os Estados Unidos e a Inglaterra, onde algumas palavras têm ortografias distintas). A posição oficial na Galiza, entretanto, é considerar o português e o galego como línguas autônomas, embora compartilhando algumas características. Outras informações sobre o galego moderno podem ser obtidas no Instituto de Língua Galega da Universidade de Santiago de Compostela, organismo partidário de uma ortografia galega bastante influenciada pelo castelhano, ou em uma página sobre o reintegracionismo, movimento que defende a adoção de uma ortografia próxima do galego-português antigo e do português moderno. Entre os séculos XIV e XVI, com a construção do império português de ultramar, a língua portuguesa faz-se presente em várias regiões da Ásia, África e América, sofrendo influências locais (presentes na língua atual em termos como jangada, de origem malaia, e chá, de origem chinesa). Com o Renascimento, aumenta o número de italianismos e palavras eruditas de derivação grega, tornando o português mais complexo e maleável. O fim desse período de consolidação da língua (ou de utilização do português arcaico) é marcado pela publicação do Cancioneiro Geral de Garcia de Resende, em 1516. No século XVI, com o aparecimento das primeiras gramáticas que definem a morfologia e a sintaxe, a língua entra na sua fase moderna: em Os Lusíadas, de Luis de Camões (1572), o português já é, tanto na estrutura da frase quanto na morfologia, muito próximo do atual. A partir daí, a língua terá mudanças menores: na fase em que Portugal foi governado pelo trono espanhol (1580-1640), o português incorpora palavras castelhanas (como bobo e granizo); e a influência francesa no século XVIII (sentida principalmente em Portugal) faz o português da metrópole afastar-se do falado nas colônias. Nos séculos XIX e XX o vocabulário português recebe novas contribuições: surgem termos de origem greco-latina para designar os avanços tecnológicos da época (como automóvel e televisão) e termos técnicos em inglês em ramos como as ciências médicas e a informática (por exemplo, check-up e software). O volume de novos termos estimula a criação de uma comissão composta por representantes dos países de língua portuguesa, em 1990, para uniformizar o vocabulário técnico e evitar o agravamento do fenômeno de introdução de termos diferentes para os mesmos objetos. O mundo lusófono (que fala português) é avaliado hoje entre 170 e 210 milhões de pessoas. O português, oitava língua mais falada do planeta (terceira entre as línguas ocidentais, após o inglês e o castelhano), é a língua oficial em sete países: Angola (10,3 milhões de habitantes), Brasil (151 milhões), Cabo Verde (346 mil), Guiné Bissau (1 milhão), Moçambique (15,3 milhões), Portugal (9,9 milhões) e São Tomé e Príncipe (126 mil). O português é uma das línguas oficiais da União Européia (ex-CEE) desde 1986, quando da admissão de Portugal na instituição. Em razão dos acordos do Mercosul (Mercado Comum do Sul), do qual o Brasil faz parte, o português será ensinado como língua estrangeira nos demais países que dele participam. Em 1994, é decidida a criação da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa, que reunirá os países de língua oficial portuguesa com o propósito de uniformizar e difundir a língua portuguesa e aumentar o intercâmbio cultural entre os países membros. Na área vasta e descontínua em que é falado, o português apresenta-se, como qualquer língua viva, internamente diferenciado em variedades que divergem de maneira mais ou menos acentuada quanto à pronúncia, a gramática e ao vocabulário. Tal diferenciação, entretanto, não compromete a unidade do idioma: apesar da acidentada história da sua expansão na Europa e, principalmente, fora dela, a língua portuguesa conseguiu manter até hoje apreciável coesão entre as suas variedades. No estudo das formas que veio a assumir a língua portuguesa na África, na Ásia e na Oceania, é necessário distinguir dois tipos de variedades: as crioulas e as não crioulas. As variedades crioulas resultam do contato que o sistema linguístico português estabeleceu, a partir do século XV, com sistemas linguísticos indígenas. O grau de afastamento em relação à língua mãe é hoje de tal ordem que, mais do que como dialetos, os crioulos devem ser considerados como línguas derivadas do português. Na faixa ocidental da Península Ibérica, onde o galego-português era falado, atualmente utiliza-se o galego e o português. Esta região apresenta um conjunto de falares que, de acordo com certas características fonéticas (principalmente a pronúncia das sibilantes: utilização ou não do mesmo fonema em roSa e em paSSo, diferenciação fonética ou não entre Cinco e Seis, etc.), podem ser classificados em três grandes grupos:
1. Dialetos galegos;
2. Dialetos portugueses setentrionais; e
3. Dialetos portugueses centro-meridionais.
A fronteira entre os dialetos portugueses setentrionais e centro-meridionais atravessa Portugal de noroeste a sudeste. Merecem atenção especial algumas regiões do país que apresentam características fonéticas peculiares: a região setentrional que abrange parte do Minho e do Douro Litoral, uma extensa área da Beira-Baixa e do Alto-Alentejo, principalmente centro-meridional, e o ocidente do Algarve, também centro-meridional. Os dialetos falados nos arquipélagos dos Açores e da Madeira representam um prolongamento dos dialetos portugueses continentais, podendo ser incluídos no grupo centro-meridional. Constituem casos excepcionais a ilha de São Miguel e a Madeira: independentemente uma da outra, ambas se afastam do que se pode chamar a norma centro-meridional por acrescentar-lhe um certo número de traços muito peculiares (alguns dos quais são igualmente encontrados em dialetos continentais).






História da língua no Brasil
No início da colonização portuguesa no Brasil (a partir da descoberta em 1500), o tupi (mais precisamente, o tupinambá, uma língua do litoral brasileiro da família tupi-guarani) foi usado como língua geral na colônia, ao lado do português, principalmente graças aos padres jesuítas que haviam estudado e difundido a língua. Em 1757, a utilização do tupi foi proibida por uma Provisão Real; mas, a essa altura, já estava sendo suplantado pelo português em virtude da chegada de muitos imigrantes da metrópole. Com a expulsão dos jesuítas em 1759, o português fixou-se definitivamente como o idioma do Brasil. Da língua indígena o português herdou palavras ligadas à flora e à fauna (abacaxi, mandioca, caju, tatu, piranha), bem como nomes próprios e geográficos.
Com o fluxo de escravos trazidos da África, a língua falada na colônia recebeu novas contribuições. A influência africana no português do Brasil, que em alguns casos propagou-se também à Europa, veio principalmente do iorubá, falado pelos negros vindos da Nigéria (vocabulário ligado à religião e à cozinha afro-brasileiras), e do quimbundo angolano (palavras como caçula, moleque e samba).
Um novo afastamento entre o português americano e o europeu aconteceu quando a língua falada no Brasil colonial não acompanhou as mudanças ocorridas no falar português (principalmente por influência francesa) durante o século XVIII, mantendo-se fiel, basicamente, à maneira de pronunciar da época da descoberta. Uma reaproximação ocorreu entre 1808 e 1821, quando a familia real portuguesa, em razão da invasão do país pelas tropas de Napoleão Bonaparte, transferiu-se para o Brasil com toda sua corte, ocasionando um reaportuguesamento intenso da língua falada nas grandes cidades.
Após a independência (1822), o português falado no Brasil sofreu influências de imigrantes europeus que se instalaram no centro e sul do país. Isso explica certas modalidades de pronúncia e algumas mudanças superficiais de léxico que existem entre as regiões do Brasil, que variam de acordo com o fluxo migratório que cada uma recebeu.
No século XX, a distância entre as variantes portuguesa e brasileira do português aumentou em razão dos avanços tecnológicos do período: não existindo um procedimento unificado para a incorporação de novos termos à língua, certas palavras passaram a ter formas diferentes nos dois países (comboio e trem, autocarro e ônibus, pedágio e portagem). Além disso, o individualismo e nacionalismo que caracterizam o movimento romântico do início do século intensificaram a literatura nacional expressa na variedade brasileira da língua portuguesa, argumento retomado pelos modernistas que defendiam, em 1922, a necessidade de romper com os modelos tradicionais portugueses e privilegiar as peculiaridades do falar brasileiro. A abertura conquistada pelos modernistas consagrou literariamente a norma brasileira.
A fala popular brasileira apresenta uma relativa unidade, maior ainda do que a da portuguesa, o que surpreende em se tratando de um país tão vasto. A comparação das variedades dialectais brasileiras com as portuguesas leva à conclusão de que aquelas representam em conjunto um sincretismo destas, já que quase todos os traços regionais ou do português padrão europeu que não aparecem na língua culta brasileira são encontrados em algum dialeto do Brasil.
A insuficiência de informações rigorosamente científicas sobre as diferenças que separam as variedades regionais existentes no Brasil não permite classificá-las em bases semelhantes às que foram adotadas na classificação dos dialetos do português europeu. Existe, em caráter provisório, uma proposta de classificação de conjunto que se baseia - como no caso do português europeu - em diferenças de pronúncia (basicamente no grau de abertura na pronúncia das vogais, como em pEgar, onde o "e" pode ser aberto ou fechado, e na cadência da fala). Segundo essa proposta, é possível distinguir dois grupos de dialetos brasileiros: o do Norte e o do Sul. Pode-se distinguir no Norte duas variedades: amazônica e nordestina. E, no Sul, quatro: baiana, fluminense, mineira e sulina.
É a seguinte a situação linguística nos países africanos de língua oficial portuguesa:
Angola Em 1983, 60% dos moradores declaram que o português é sua língua materna. A língua oficial convive com o bacongo, o chacue, o ovibundo e o quibundo.
Cabo Verde sobrevive na sua forma padrão em alguns pontos isolados:
em Macau, território chinês sob administração portuguesa até 1999. O português é uma das línguas oficiais, ao lado do chinês, mas só é utilizado pela administração e falado por uma parte minoritária da população.
no estado indiano de Goa, possessão portuguesa até 1961, onde vem sendo substituído pelo konkani (língua oficial) e pelo inglês.
no Timor leste, território sob administração portuguesa até 1975, quando foi invadido e anexado ilegalmente pela Indonésia. A língua local é o tetum, mas uma parcela da população domina o português.
Dos crioulos da Ásia e Oceania, outrora bastante numerosos, subsistem apenas os de Damão, Jaipur e Diu, na Índia; de Málaca, na Malásia; do Timor; de Macau; do Sri-Lanka; e de Java, na Indonésia (em algumas dessas cidades ou regiões há também grupos que utilizam o português).
Fonte: intervox.nce.ufrj.br

A língua portuguesa é uma das cinco línguas mais faladas no mundo -- cerca de 180 milhões de indivíduos a utilizam como língua materna. É a língua nacional de Portugal (incluindo Açores e Madeira ) e do Brasil, a língua oficial de vários países africanos -- Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique, São Tomé e Príncipe -- onde convive com múltiplas línguas nacionais, e ainda sobrevive na Ásia -- Macau e Goa -- e na Oceania -- Timor -- como língua de grupos minoritários. (para maiores informações sobre os países que falam o português, visite o site da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa)
A língua portuguesa pertence ao grupo das línguas românicas, ou neolatinas, e teve sua origem no latim falado, levado para a Península Ibérica por volta do século II a.C., como conseqüência das conquistas políticas do Império Romano. Originado no Lácio, na Itália Antiga, o latim expandiu-se por quase todo o mundo conhecido devido ao espírito de organização e domínio bélico e político-cultural de Roma (mapa do Império Romano no século II).
Sob o ponto de vista dos acontecimentos sociais e sua repercussão, da expansão territorial e do contato com outras línguas, a história das línguas românicas é constituída por dois momentos fundamentais: a romanização, em que as forças de unificação predominam sobre as de dispersão e a fragmentação, em que se observa o predomínio da diversificação sobre a concentração. Esses dois movimentos representam forças distintas que atuam no processo de variação e mudança lingüística: uma força centrípeta, da conservação, da unificação (normalmente exercida pelas instituições e mecanismos sociais de poder) e uma força centrífuga, de inovação, de diversificação (impulsionada pelas mudanças culturais, pelo uso cotidiano e pela interação com outras culturas). Na origem do português, a romanização é conseqüência da força política de Roma no processo de expansão do seu Império, e a fragmentação se realiza no fracionamento da România, como decorrência das invasões dos bárbaros, do seccionamento das províncias e da perda progressiva do poder romano sobre as regiões conquistadas.

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

O NATAL DO RUIM - TEXTO TEATRAL

O NATAL DO RUIM
Peça cômica, porém muito comovente.

A história do menino que nasceu num lar atribulado, foi rejeitado por sua família e chamado de Ruim.

Quando jovem se torna marginal, é evangelizado, porém rejeita a Palavra.

Após um confronto com a polícia, Ruim tem um encontro com o próprio Jesus na noite de Natal.

CENA 1
Uma residência pobre, penumbra no palco. Um homem esta jogado,
como bêbado, sobre um velho sofá.
Uma mulher com uma criança de colo, chega na casa.
(Mãe) – João. – ela grita com o homem
O homem continua deitado, alheio a tudo.
(Mãe) – João, seu miserável, você nem para me buscar na
maternidade. Como alguém pode ser assim desprezível.
O homem permanece em silêncio.
ATORES:
Ruim --
Jesus --
Mãe -- _________________________
Pai -- _________________________
Débora -- _________________________
Marta -- _________________________
Policial 1 - _________________________
Policial 2 - _________________________
Policial 3 - _________________________
(Mãe) – Seu bebum... Seu porco miserável... Nem foi ver seu filho...
Ele se levanta cambaleante e resmunga:
(Pai) – Nem mesmo sei se realmente sou o pai desta criança.
A mulher coloca o neném sobre o sofá e grita:
(Mãe) – Claro que você é o pai seu safado .
(Pai) – Quem garante?
(Mãe) – Eu garanto seu bêbado. Nem mesmo você quer ver seu
filho.
O homem se aproxima do recém nascido, olha durante alguns
segundos e diz:
(Pai) – Ele é feio e tem cara de ruim... Não pode ser meu filho.
(Mãe) – Ruim! Você não presta mesmo. Nunca prestou e nunca vai
prestar para nada.
(Pai) – Não quero ouvir isso... Não gosto de você e não quero esta
criança feia.
(Mãe) – Saia daqui seu monstro, saia desta casa e não volte nunca
mais... Nunca mais... Desapareça seu pinguço....
O homem vai embora resmungando e cambaleando.
A mãe se aproxima da criança e olhando para ela, diz:
(Mãe) - Não sei por que você venho a este mundo. Eu já tinha
tantos problemas. Você é apenas mais um problema... mais um
problema... um problema...
A mãe começa a chorar, e continua entre as lágrimas:
(Mãe) – Nem mesmo um nome você tem... Nem mesmo um nome...
Seu miserável pai tem razão, você tem cara de ruim... E sua vinda a
este mundo foi ruim para todos. Vou chamá-lo de... de Ruim... Sim!
Ruim será o seu nome... pois você tornou minha vida pior do que
ela já era. Ruim... Gostou neném? Ruim...

A mulher começa a rir de forma insana.
Apagam as luzes.
CENA 2
(Narrador) – Vinte anos depois... Ruim já não é mais um bebe, ele
cresceu e é um homem... Seu pai nunca mais apareceu depois
daquele dia, Ruim nem mesmo sabe o nome do pai. O menino,
viveu uma infância de violência, desprezo e falta de amor. Sete
anos depois de seu nascimento, a mãe se suicidou, pois não
suportava a vida. O menino foi para um orfanato e o juiz de
menores mudou seu nome para Ricardo. Mas nunca o chamaram
de Ricardo, seu nome era Ruim, todos o conheceram como Ruim,
era o nome que a mãe havia lhe dado e Ruim ficou. Vinte anos
depois Ruim se tornou... Um homem realmente ruim.
Um homem entra correndo pelo salão... ele olha para trás como se
estivesse fugindo de alguém. Ele para em frente ao palco e cai
cansado no chão.
(Ratinho) – Socorro... Alguém me ajude... Ele vai me pegar...
Um outro homem entra correndo pelo salão com uma arma na mão.
Ele vai na direção de Ratinho (o homem caído em frente ao palco)
(Ratinho) – Não... Ruim... Eu não agüento mais correr.
Ruim se aproxima de Ratinho e coloca a arma em sua cabeça.
(Ratinho) – Ruim... espere... eu vou pagar você.
(Ruim) – Ninguém engana o Ruim...
O homem argumenta desesperado:
(Ratinho) – Eu sei Ruim. Eu fui um idiota. Ruim... eu peço
desculpas... me dê outra chance.
(Ruim) – Ninguém engana o Ruim.
(Ratinho) – Perdoe-me... por favor... me dê outra chance.
(Ruim) – Você sabe por que me chamo Ruim? Porque eu sou ruim,
sempre fui e sempre serei.
(Ratinho) – Eu sei... você é ruim... mas... eu imploro desculpas.
(Ruim) – Tudo bem! Você é um covarde. Não mato covardes. Está
desculpado.
Ele começa a rir e agarra as pernas de Ruim:
(Ratinho) - Obrigado! Muito obrigado!Eu sabia que você não era tal
ruim assim.
(Ruim) – Escolha uma perna, a direita ou esquerda?
(Ratinho) – O que?
(Ruim) – Escolha uma perna, a direita ou esquerda?
(Ratinho) – Mas você disse que havia me perdoado.
(Ruim) – Perdoei. Você não vai morrer. Agora escolha uma perna.
(Ratinho) – Ruim, por favor, não!
(Ruim) – Esquerda ou direita?
(Ratinho) – Não!
Ratinho começa a chorar e implorar.
(Ruim)- Demorou para escolher... Então vai nas duas pernas.
Ruim dá dois tiros, um em cada perna. Ratinho grita desesperado
de dor.
(Ratinho) – Você é ruim... maldito Ruim.
Ruim se vira e vai embora, sem demonstrar alegria ou tristeza.
CENA 3
As luzes se apagam, fica apenas um refletor vermelho sobre Ruim
no palco. Ele se senta, no canto do palco e fica olhando para o
infinito.
(Ruim) – Como eu posso ser tal... ruim. Parece que minha maldade
não tem fim. Não sei por que não morro logo. Qual o sentido de
minha vida. Por que alguém como eu deve continuar existindo.
As luzes se acendem e entram duas moças, elas param ao lado do
palco.
(Débora) – Olhe aquele rapaz... Vamos evangeliza-lo?
(Marta) – Você está louca? Aquele é o Ruim.
(Débora) – Ruim?! Isso é nome de gente?
(Marta) – Não sei se é nome ou apelido, a questão que sua fama é
pior que o nome. Ele é um dos piores bandidos da região.
(Débora) - Mas Jesus veio para ele também.
(Marta) – Débora, você está realmente doida... eu estou dizendo
que ninguém se aproxima deste cara... nem a polícia... ele é um
animal... ele não tem amigos... nem familiares... apenas muitos
inimigos.
(Débora) – Mas amanhã é Natal. Jesus nasceu também para este
jovem... Vamos falar de Jesus para ele.
(Marta) – Eu quero estar viva no Natal. Se você quer ir, vá sozinha.
Mas depois não diga que não avisei.
(Débora) – Vamos comigo. Amanhã é Natal.
(Marta) – Nem morta... depois, o que podem pensar as pessoas que
me virem falando com ele... vão pensar que estou usando dorgas
ou virei bandida. Adeus!
Marta vai embora e deixa a amiga sozinha, Débora olha para os
céus e realiza uma rápida oração. Depois se aproxima lentamente
de Ruim.
(Débora) – Oi! Posso falar com você?
Ruim não responde, ignora completamente. Débora insiste:
(Débora) – Desculpe. Qual seu nome?
(Ruim) – Ruim! – ele responde com aspereza, tentando assustar a
moça.
(Débora) – Ruim?! É seu apelido?
(Ruim) – Não é meu nome mesmo. Por que? Não gostou?
(Débora) – Não... nada disso... é que...
(Ruim) – É o que?
(Débora) – É diferente... apenas diferente. Meu nome é Débora.
Ele não responde, ignora novamente.
(Débora) – Amanhã é Natal. Você sabe o significado do Natal.
(Ruim) – É o dia que as pessoas que tem família e dinheiro se
divertem, e os pobres se lamentam, porque não podem dar um
presente para seus filhos que choram...
(Débora) – Não! O Natal não é presente, ou ceia apenas. O Natal
significa o dia da vinda de nosso Salvador Jesus.
(Ruim) – Jesus!? Já entendi! Você é uma destas crentes que dizem
que eu tenho o demônio no corpo. Pois saiba... eu não tenho
demônio no corpo, sou muito pior que um demônio.
(Débora) – Não estou dizendo que você tem demônio, quero
apenas dizer que amanhã é Natal e Jesus nasceu para você
também.
(Ruim) – Jesus!? Deus?! Isso não existe! E mesmo que existisse –
ele abaixa a cabeça - Minha mãe sempre me falou que sou ruim
demais, que até Deus me odeia.
(Débora) – Deus não te odeia. Ele te ama. Te ama tanto que enviou
Jesus para morrer na cruz por sua vida. Jesus te ama.
Ruim grita:
(Ruim) – Besteira! Vá embora antes que eu perca minha paciência
e... você saberá por que me chamo Ruim.
Débora se afasta um pouco, assustada.
(Débora) – Ninguém é ruim demais para Jesus, seu amor é maior
que nossas próprias maldades. Ele ama você. Deixe Jesus nascer
em seu coração neste Natal, e.... seja feliz.
(Ruim) – Feliz!? Feliz!? Natal?! Sabe como eram meus natais
quando eu era criança? Surras... orfanato... Febem... Assim foram
meus natais. Enquanto você estava em sua igreja, com sua família,
presentes e comida, eu apanhava ou batia. E você vem me falar de
Deus... bondade. Esta noite de Natal você terá comida boa e
amigos, eu terei apenas eu mesmo e talvez uma garrafa de pinga e
drogas.
(Débora) – Mas Jesus ama você!
(Ruim) – Jesus! Onde ele está? Onde ele estava quando eu
apanhava? Onde ele estava quando minha mãe me odiava e
quando todos me odiavam? Fale para o seu Jesus vir conversar
comigo. Quero saber onde Ele estava.
(Débora) – Ele estava ao seu lado.
(Ruim) – Ao meu lado?! Você é louca! Agora desapareça, antes que
eu faça outra loucura.
(Débora) – Eu vou, mas... Feliz Natal... e espero que você encontre
Jesus.
(Ruim) – Mande seu Jesus vir falar comigo. Fale para ele sentar
aqui, ao meu lado... Agora desapareça. – ele grita – Vamos
desapareça!
Débora se afasta, a certa distância, repete:
(Débora) -- Feliz Natal... e espero que você encontre Jesus
A luz se apaga novamente, e apenas o refletor vermelho ilumina
Ruim.
(Ruim) – Natal! Deus! Jesus! Grandes mentiras! Esse mundo
horrível é lugar apenas de dor. Apenas dor...
Apaga-se o refletor. Fecham as cortinas
CENA 4
Dois homens encontram Marta no corredor. São policiais.
(Policial 1) – Você viu um rapaz que todos chamam de Ruim?
(Marta) – Por que?
(Policial 1) – Ele atirou nas pernas de um homem.
(Marta) – Meu Deus... e a Débora está com ele.
(Policial 1) – Está onde?
Débora chega e se junta ao grupo.
(Marta) – Graças a Deus que você chegou. Estes polícias estão
dizendo que aquele tal de Ruim atirou em um homem.
(Policial 1) – Onde vocês o viram?
(Marta) – Ali, no final daquela rua, próximo a viela.
(Policial 2) – Vamos pagá-lo agora.
Os policiais saem rapidamente.
As cortinas se abrem
(Policial 2) – Parado Ruim, é a policia.
Ruim se levanta apavorado, retira a arma da cintura e começa um
tiroteiro. Um dos policiais cai ferido. Um tiro atinge ao lado do peito
de Ruim (sua camisa fica suja de sangue). Ruim deixa a arma cair
no chão, mas consegue fugir para o fundo do salão. As luzes se
apagam novamente.
CENA 5
Acende o refletor vermelho.
Com dificuldades, devido ao ferimento, Ruim caminha até a luz do
refletor vermelho. Ele se senta e segura as próprias pernas.
(Ruim) – Droga! Estou ferido! E atirei em um policial. A policia vai
me cassar como um animal. Vou morrer... Ruim, finalmente vai
morrer... – ele coloca a mão no ferimento - Como está doendo...
Estou sangrando muito. Eu preciso de ajuda... mas quem?
Acende o refletor branco. Sentado, a uns dois metros de Ruim,
está um homem, vestido de branco e com um capuz branco na
cabeça, não é possível ver seu rosto.
(Jesus) – Dói muito?
Ruim se assusta, ele tenta se levantar, mas a dor no ferimento o
prende no chão.
(Jesus) – Não se assuste, não sou policial.
(Ruim) – Quem é você?
(Jesus) – Não sabe?
(Ruim) – Não! Vá embora... estou ferido, mas sou perigoso... sou
ruim.
(Jesus) – Ruim!?
(Ruim) – Sim! Meu nome é Ruim. Agora desapareça e não me
entregue para a polícia. Ou...
(Jesus) – Daqui a algumas horas é Natal.
(Ruim) – Natal? – Ruim lança uma gargalhada – Que dia para
morrer.
(Jesus) – Nascer!
(Ruim) – O que???
(Jesus) – Nascer! Natal é dia de nascer, não de morrer.
(Ruim) - Nascer. Não me diga que você também acredita em Jesus,
manjedoura, estrela de Belém. Não é hora para estas besteiras.
(Jesus) – Você não acredita?
(Ruim) – Não. Agora dê o fora, não está vendo que estou ferido...
eu levei um tiro e toda a polícia deve estar atrás de mim. Eu vou
morrer.
(Jesus) – Você já está morto.
(Ruim) – Como? Já estou morto?
(Jesus) – As feridas de seu coração, as mágoas, traumas e revoltas
mataram você a muitos anos atrás.
(Ruim) – O que você sabe da minha vida?
(Jesus) – Provavelmente mais do que você possa imaginar.
(Ruim) – Quem é você?
(Jesus) – Alguém com quem você disse que gostaria de conversar.
(Ruim) – Jesus?!?!?!
(Jesus) – Sim!
(Ruim) – Não acredito!
(Jesus) – Sim, dentro do seu coração você sabe que é verdade.
Olhe pare seu coração, e diga que não sou eu.
Ruim pensa durante alguns segundo.
(Ruim) – A que devo a honra... o poderoso Jesus... esta aqui para
zombar de minha morte?
(Jesus) – Não vim zombar... apenas estou ao seu lado, para
conversar.
(Ruim) – Conversar?! O que você sabe sobre dores?
(Jesus) – Muito. Eu vi a sua dor quando saiu do ventre de sua mãe
e foi rejeitado por seu pai. Eu vi seu choro infantil buscando o amor
que nunca encontrou em seus pais.
(Ruim) – Meu pai foi um maldito que nunca conheci.
(Jesus) – Eu tentei colocar amor no coração de seus pais mas eles
não desejaram, eles me ignoraram.
(Ruim) – Tentou? Por que você não os forçou, você não é
poderoso.
(Jesus) – Meu poder não se baseia na imposição, mas no amor. Eu
chorei quando sua mãe o chamou de Ruim. Você não era ruim...
(Ruim) – Você chorou? Jesus chorou por mim? Do que me
adiantaram suas lágrimas? Minha mãe me desprezou.
(Jesus) – Mas eu não desprezei. E quando você, ainda um
bebezinho, chorou sozinho, eu acariciei seu rostinho e lhe disse:
Você não é ruim. Você se lembra, olhe para o seu coração.
Ruim pensa novamente durante alguns instantes, depois responde:
(Ruim) – Sim... não sei como, mas é como se sentisse sua mão em
meu rosto... mas minha mãe me desprezou até morrer. Você não
sabe o que é o desprezo. Você nunca experimentou o desprezo.
(Jesus) – Eu sei o que é o desprezo. Também fui desprezado
quando estive neste mundo. E mesmo hoje, continuo sendo
desprezado por muitos. Muitos, como você, desprezam meu amor.
(Ruim) – Não desprezei você. Eu nunca o conheci.
(Jesus) – Coloquei muitos de meus servos para falar do meu amor
para você. Você sempre os desprezou e me desprezou.
(Ruim) – Como você pode dizer isso. Você não sabe o que ser
abandonado por todos.
(Jesus) – Eu também já fui abandonado por todos. Quando fui
levado a cruz, até meu discípulos me abandonaram e até Pedro me
negou três vezes.
(Ruim) – E fome... você sabe o que é fome, sede, frio... Você
sempre esteve alheio a tudo.
(Jesus) – Quando estive neste mundo, passei fome, sede e frio, não
tinha casa e as pedras me serviam de travesseiro. Não fui rico e
não morei em um castelo. Lembre-se, eu nasci em uma
manjedoura.
(Ruim) – Meu ferimento dói. Estou sangrando muito. Você sabe o
que é dor? Você sabe o quanto incomoda a dor no corpo e na
alma?
(Jesus) – Minhas mãos foram perfuradas, em minha cabeça
colocaram uma coroa de espinhos, minhas costas foram rasgadas
por chicotadas, bateram em mim, fui perfurado por uma lança e na
cruz morri, em muito sofrimento físico. Sim! Eu sei o que é dor.
(Ruim) – Mas por que? Não tem sentido! Você é poderoso, por
que você sofreu tudo isso? Para que? Explique! Cada vez entendo
menos.
(Jesus) – Por amor de você. Paguei o preço de seus pecados e
iniquidade. Derramei meu sangue e entreguei meu corpo como
forma de pagamento, para que aqueles que aceitarem meu gesto,
possam estar comigo e com o Pai eternamente. Eu sofri e morri por
você.
(Ruim) – Não... não... Eu não mereço... Sou Ruim... apenas Ruim...
quem morreria por alguém ruim.
(Jesus) – Os sadios não necessitam de médico, mas os enfermos
necessitam de médico. Eu vim e morri por todos... inclusive aqueles
que se julgam ruins.
Ruim começa a chorar.
(Ruim) – Por que você não me procurou antes.
(Jesus) – Porque antes você não me queria e nunca me chamou.
Nunca obrigarei ninguém a nada, o amor respeita... eu respeito.
(Ruim) – Eu vou morrer?
(Jesus) – Você já está morto. Todos aqueles que estão distantes de
Deus estão mortos espiritualmente.
Ao fundo começa a tocar a música “Noite Feliz”.
(Ruim) – Ouça! Música de Natal. Eles estão comemorando o Natal.
Estão comemorando sua vinda... Deixe-me... Vá estar com eles...
(Jesus) – Quero estar com você.
(Ruim) – Com o Ruim... ninguém quer estar com o Ruim...
(Jesus) – Eu quero. Quero estar eternamente com você. Foi por
isso que paguei o preço na cruz do Calvário.
(Ruim) – Será que existe perdão para mim? Sempre me disseram
que eu era um caso perdido.
(Jesus) – Sempre existe a oportunidade de perdão para aqueles
que reconhecem seus erros, arrependem-se e pedem perdão.
(Ruim) – Mas muitos de meus pecados são terríveis.
(Jesus) – Nada é maior que o amor de Deus, nem seus pecados
são maiores que o amor de Deus.
(Ruim) – Você me perdoa... por tudo o que fiz de errado?
(Jesus) – Você se arrepende?
(Ruim) – Sim. Nunca gostei das coisas que fazia. Na verdade, nem
sei porque fazia.
(Jesus) – Eu te perdôo.
(Ruim) – O que é faço agora... sabe... para mudar de vida... para
estar com você para sempre..
(Jesus) – Apenas aceite meu gesto de amor por você... aceite o
meu gesto na cruz do Calvário. Aceite-me como seu Salvador.
(Ruim) – É simples assim?
(Jesus) – Sim.
(Ruim) – Eu aceito... aceito o seu amor... aceito o Senhor como
meu Salvador.
Jesus estende os braços para Ruim. Ele vai e se abraça com Jesus
(sob a luz branca)
(Ruim) – Estou sentido algo de maravilhoso em meu ser.
(Jesus) – É Natal, tempo de nascer... Você nasceu para a
eternidade.
(Ruim) – Pela primeira vez na vida, me sinto feliz no Natal.
Obrigado pelo Senhor ter nascido no Natal. Obrigado por tudo o que
fez por mim. Eu nunca soube que existia uma amor assim. Na
verdade, nem mais acreditava na existência do amor... Obrigado.
(Jesus) – Vamos!
(Ruim) – Para onde?
(Jesus) – Para a casa de meu Pai.
(Ruim) – Agora?
(Jesus) – Agora.
(Ruim) – Eu não posso!
(Jesus) – Por que você não pode?
(Ruim) – Meu nome. Como você vai me apresentar para o Pai.
Como Ruim... Meu nome é muito feio.
(Jesus) – Quando estivermos na presença do Pai... ele vai lhe
chamar de filho... não de Ruim.
(Ruim) – Filho?!
(Jesus) – Nosso filho amado. Vamos filho?
(Ruim) – Vamos! – Ruim sorri
As luzes se apagam.
CENA 5
Acendem as luzes.
Dois policias se aproximam e observam um corpo no chão. Ruim
esta morto.
(Policial 1) – Ele está morto. O Ruim morreu.
Uma linda música invade o ambiente.
(Policial 1) – Que música é esta?
(Policial 3) – É Natal... alguém está feliz...
(Policial 1) – Mas a música vem do céu.
Eles olham para os céus.
(Policial 3) – Alguém está feliz no céu.

FIM