segunda-feira, 23 de março de 2009

Texto

COMO DEFINIR TEXTOTexto é uma unidade lingüística concreta, percebida pela audição ( na fala) pela visão ( na escrita), que tem unidade de sentido e intencionalidade comunicativa.Discurso: é a atividade comunicativa capaz de gerar sentido desenvolvida entre interlocutores. Além dos enunciados verbais, engloba outros elementos do processo comunicativo que também participam da construção do sentido do texto.Um texto pode ser visual?Um texto pode ser formado apenas pela linguagem verbal ( por exemplo, um poema, um romance), apenas pela linguagem visual ( um desenho, uma pintura), como também pelas linguagens verbal e visual ( uma história em quadrinhos, um filme).Quando há o emprego dos dois tipos de linguagem, o sentido global do texto só se faz com o cruzamento das duas linguagens.TEXTUALIDADE : são as relações existentes entre palavras, frases e idéias, isto é, quando se forma um todo significativo, e não um aglomerado de palavras e frases desconexas. A coesão e a coerência contribuem para formar a textualidade.Coesão textual: são articulações gramaticais existentes entre palavra, orações, frases, parágrafos e partes maiores que garantam sua conexão seqüencial.Coerência textual: é o resultado da articulação das idéias de um texto; é a estruturação lógico-semântica que faz com que numa situação discursiva palavras e frases componham um todo significativo.Pode haver coerência sem coesão?Sim, há textos que se organizam por justaposição ou com elipses e, mesmo assim, podem ser considerados textos por seus leitores/ouvintes, pois constituem uma unidade de sentido.Um exemplo clássico de nossa música popular é a canção “ Águas de março, de Tom Jobim, que se constrói pela justaposição:É pau, é pedraÉ o fim do caminhoÉ um resto de tocoÉ um pouco sozinhoÉ um caco de vidroÉ a vida, é o solIntertextualidade: é a relação entre dois textos em que um cita o outro.Paródia: é um tipo de relação intertextual em que um dos textos cita o outro com o objetivo de fazer-lhe uma crítica ou inverter ou distorcer suas idéias.Ex.: Meus oito anos“Oh! Que saudades que eu tenhoDa aurora da minha vida,Da minha infância queridaQue os anos não trazem maisQue amor, que sonhos, que floresNaquelas tardes fagueirasÀ sombra das bananeiras,Debaixo dos laranjais!(Casimiro de Abreu)( Casimiro de Abreu)Meus oito anosOh que saudades que eu tenhoDa aurora de minha vidaDe minha infância queridaQue os anos não trazem maisNaquele quintal de terraDa rua de Santo AntônioDebaixo da bananeiraSem nenhum laranjais” (...)(Oswald de Andrade)Paráfrase: é um tipo de relação intertextual conservando as idéias originais.Alguns gêneros textuais1- O POEMA é, assim, um gênero textual que se constrói não apenas com idéias e sentimentos, mas também por meio do emprego do verso e seus recursos musicais - a sonoridade e o ritmo das palavras -, da função poética da linguagem e de palavras com sentido conotativo.*O QUE É POESIATalvez ninguém consiga dar uma resposta definitiva a essa pergunta. Entretanto, a poesia está em toda a parte: nas canções de ninar, nas cantigas de roda, nos trava-línguas, nas parlendas, nos provérbios, nas quadrinhas populares, nas propagandas, nas letras de música, nos livros...O conceito de poesia varia de acordo com a época, o movimento literário e vária também entre os escritores.O poeta francês Mallarmé, por exemplo, definiu poesia como a “suprema forma da beleza”. Para o americano Edgar Allan Poe, é a “criação rítmica da beleza”. Cassiano Ricardo diz: “Pouco importa, contudo, definir o que seja poesia. O que importa, literariamente, é que ela encontre o seu núcleo no poema, feito e trabalhado precisamente para consegui-la. Ela é indefinível, porém definidora”· O poeta Carlos Drummond de Andrade, em uma de suas crônicas, afirma que “Entre coisas e palavras – principalmente com palavras circulamos”.· As palavras, entretanto, não circulam entre nós como folhas soltas no ar. Elas são organizadas em textos, por meio dos quais podem criar significados capazes de transmitir sentimentos, idéias, desejos, emoções e pensamentos.· Muitas delas se combinam de tal forma que evidenciam terem sido selecionadas com a finalidade de compor imagens, sugerir formas, cores, odores, sons, permitir múltiplas leituras e interpretações. Isso é o que observamos quando lemos, ouvimos ou vemos um poema, uma forma de composição que se destaca também por uma espécie de melodia e de ritmo que emanam do modo como as palavras são arranjadas.2_ TEXTO TEATRAL : normalmente dispensa o narrador, contém os elementos básicos da narrativa: fatos, personagens, tempo e lugar, apresenta discurso direto como estrutura básica de construção do texto e desenvolvimento das ações; identifica o nome da personagem antes de sua fala, apresenta rubricas de interpretação e de movimento, o nível de linguagem é adequado à personagem e ao contexto, às vezes, apresenta divisão em atos. Exemplo : Fragmento do Auto da Compadecida “(João Grilo) Ah! Pancadinhas benditas! Oi, está tremendo? Que vergonha, tão corajoso antes, tão covarde! Que agitação é essa?(Encourado) Quem está agitado? É somente uma questão de inimizade. Tenho o direito de me sentir mal com aquilo que me desagrada.”3- O RELATOa. Narra um episódio marcante da vida pessoal;b. Há predomínio do tempo passado;c. Apresenta os elementos básicos da narrativa: seqüência de fatos, personagens, tempo e espaço;d. O narrador é o protagonista;e. Verbos e pronomes são empregados predominantemente na 1ª pessoa;f. Presença de trechos descritivos e, eventualmente, de diálogos;g. A linguagem empregada é compatível com os interlocutores, sendo normalmente culta.“Não me lembro do amanhecer do sexto dia. Tenho uma idéia nebulosa de que, durante toda a manhã, fiquei prostrado no fundo da balsa, entre a vida e a morte. Nesses momentos, pensava em minha família....”Trecho do livro “Relato de um náufrago”.4- Texto argumentativo oral:· o debate regrado: é um gênero argumentativo produzido oralmente numa situação em que dois ou mais debatedores expõem suas opiniões sobre um tema polêmico e tentam convencer os interlocutores;· os dabatedores expõem suas idéias e tentam convencer os interlocutores fazendo uso de agrupamentos, razões, explicações;· linguagem geralmente de acordo com a variedade padrão, mas podendo ser menos ou mais formal de acordo com a situação (perfil dos debatedores, presença do público, tema etc.);· geralmente são empregadas expressões como eu penso que, do meu ponto de vista, na minha opinião, concordo, discordo, concordo em parte, etc.Exemplo de um debate regrado – Revista Pais & Teens.“PAIS & TEENS – O que é ficar? Que tal cada um de vocês dar uma definição, dizer o que acha?Veruska – Eu acho que existem dois jeitos de ficar. Muita gente fica por ficar, e muita gente fica com sentimento. No meu ponto de vista, o ficar tem que ter um sentimento, nem que for por atração. Ou sentimento, nem que for por atração. Ou sentimento mais forte....Débora – Eu concordo com a Veruska, eu acho que ninguém deve ficar por ficar...Thiago – para mim ficar é simplesmente suprir a necessidade momentânea de conforto emocional ( risadas). Essa é a minha opinião...”(Pais & Teens, fev./mar./abr. 1997).5- Texto argumentativo escrito· Defende-se um ponto de vista sobre determinado assunto;· O ponto de vista é fundamentado em argumentos;· Estrutura básica: introdução ( idéia principal), desenvolvimento ( argumentos) e conclusão ( confirmação da idéias principal);· Linguagem de acordo com a variedade padrão;· O autor pode colocar-se de modo pessoal ( em 1ª pessoa) ou impessoal ( em 3ª pessoa acompanhada de palavra e expressões que introduzem opiniões impessoais: é provável que , é possível que, não se pode esquecer que, convém lembrar que, etc.).6- Notícia· Predomínio da narração, com presença dos elementos essenciais de um texto narrativo: fato, pessoas envolvidas, tempo em que ocorreu o fato, o lugar onde ocorreu, como e por que ocorreu o fato.· Estrutura-padrão composta de lead ( resumo do fato em poucas linhas e compreende, normalmente, o primeiro parágrafo da notícia. Contém informações mais importantes e deve fornecer ao leitor a maior parte das respostas às seis perguntas básicas: o quê, quem, quando, onde, como e por quê?).· Título; linguagem impessoal, clara, precisa, objetiva, direta, de acordo com a variedade padrão da língua.· Corpo: são os demais parágrafos da notícia, nos quais se faz o detalhamento do exposto no lead, por meio da apresentação ao leitor de novas informações, em ordem cronológica ou de importância.Observação. Outros textos jornalísticos como a reportagem, editorial, crítica, entrevista, etc. são encabeçados por um título que é a chave. Precisa causar impacto. Já o subtítulo completa e amplia o título.Legenda: é uma frase curta, enxuta, que normalmente cumpre duas funções: descreve a ilustração, empregando de preferência o verbo no presente, e também dá uma informação sobre o fato veiculado na notícia. Há jornais e revistas que têm por norma não colocar ponto no final do texto que compõe a legenda.7- Crônica: é um dos mais antigos gêneros jornalísticos. No Brasil, a crônica surgiu há uns 150 anos, com o Romantismo e o desenvolvimento da Imprensa. Aos poucos foi se tornando um texto mais curto esse afastando da finalidade de informar e comentar, substituída pela intenção de apresentar os fatos cotidianos de forma artística e pessoal. Sua linguagem tornou-se poética, ao mesmo tempo que ganhou certa gratuidade, em razão da ausência de vínculos com interesses práticos e com as informações presentes nas demais partes de um jornal.Entre os muitos cronistas que se destacam estão Machado de Assis, Olavo Bilac, França Júnior, Manuel Bandeira, Carlos Drummond de Andrade, Rubem Braga, Fernando Sabino, Paulo Mendes Campos, Lourenço Diaféria, Luís Fernando Veríssimo, Marcos Rey.Gênero híbrido que oscila entre a literatura e o jornalismo, a crônica é o resultado da visão pessoal e subjetiva do cronista ante um fato qualquer, colhido no noticiário do jornal ou no cotidiano. Quase sempre explora o humor; às vezes, diz as coisas mais sérias por meio de uma aparente conversa fiada; outras vezes, despretensiosamente, faz poesia da coisa banal e insignificanteRegistrando o circunstancial do nosso cotidiano mais simples, acrescentando, aqui e ali, fortes doses de humor, sensibilidade, ironia, crítica, poesia, o cronista, com graça e leveza, proporciona ao leitor uma visão mais abrangente, que vai além do fato; mostra-lhe, de outros ângulos, os sinais de vida que diariamente deixamos de escapar.A Crônica é quase sempre um texto curto, apressado ( geralmente o cronista escreve para o jornal alguns dias da semana ou tem uma coluna diária), redigido numa linguagem descompromissada, coloquial ,simples, muito próxima do leitor.A crônica apresenta poucas personagens e se inicia quando os fatos principais da narrativa estão por acontecer. Por essa razão, o espaço e o tempo da crônica são limitados: as ações ocorrem num único espaço e o tempo não dura mais do que alguns minutos ou, no máximo, algumas horas.A crônica admite narrador em 1ª e 3 ª pessoas, isto é, o narrador pode participar dos fatos e refletir sobre eles como personagem ou ser observador daquilo que narra com comenta. É comum também haver crônicas cujo narrador se ausenta; nesse caso, toda a crônica se estrutura no discurso direto de duas ou mais personagens.ExemploTrecho de “A última crônica”“A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar café junto ao balcão. Na realidade estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou de irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico(...)No fundo do botequim um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármores ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção de gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de sues três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinado-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolso sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve,concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para defende-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.A negrinha, contida na sua expectativa,olha a garrafa de coca-cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três,pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos, e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia do bolo. E enquanto ela serve a coca-cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado,a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam, discretos: “ parabéns pra você, parabéns pra você...” Depois a mãe recolhe as velas, torna a guarda-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a come-lo. A mulher está olhando para ela com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai no colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observa-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.Assim eu queria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.( Fernando Sabino. In: Para gostar de ler. São Paulo. Ática, 1979-1980. v. 5, p.40-2.)8- A crítica - resenhaBons jornais e revistas do país costumam veicular em sua seção cultural textos de avaliação crítica, chamados resenha crítica ou simplesmente crítica. O objetivo desse gênero textual é apresentar aos leitores um conjunto de informações a respeito de um objeto cultural – livro, disco, filme, peça de teatro, exposição de arte, show, etc. – e fazer uma avaliação de sua qualidadeExemplo do trecho de uma resenha critica sobre o CD Navegaita, de Flávio Guimarães.Blues revisionistaDisco de Flávio Guimarães traz diversidade musical sem render-se a fusões“Virtuose e pioneiro do blues no Brasil, Flávio Guimarães depurou este seu terceiro CD solo em quase dois anos de trabalho. Tomou parte das doze faixas do disco uma plêiade de intrumentistas formada por Chocolate ( berimbau), Paulo Moura (clarineta) e banda de Flávio, composta por Danny Vicent ( guitarra), Mário Fabre (bateria) e Sílvio Alemão (baixo). As músicas se sucedem em suaves variações, descortinando-se num horizonte sonoro novo: a quase mescla do blues com a música popular brasileira, em que entram desde maracatu até repente. Tais encontros não representam a fusão exata. São uniões de elementos diversos uns dos outros uns dos outros. Ouça-se Balada de Robert Johnson, parceria de Bráulio Tavares e do cantador Sebastião da Silva. A melodia modal é nordestina; o tema, a vida do bluesman andarilho. Flávio improvisa com sua gaita em cima do ostinato da viola de Sebastião, encarregado de cantar os versos. Aqui se entrecuzam o modalismo do blues e a do repente com o tema diabólico que freqüenta tanto a cultura do Sul americano como a do semi-árido nordestino. Mais que identidade de pontos comuns, Flávio sugere zonas de diálogo. O charme de Navegaita está em manter as digitais de cada gênero,sem deixar de fazê-los discutir amigavelmente. Exemplo raro de respeito às diferenças no ambiente da pura navegação sonora. – LUÍS ANTÔNIO GIRON. Navegaita, Flávio Guimarães ( Eldorado)(Bravo, nº 6)8- Texto argumentativo: o editorialAo informar os fatos à população, os jornais procuram noticiar de uma forma imparcial e objetiva, isto é, sem manifestar nas notícias sua opinião. Para as opiniões – tanto as do próprio jornal quanto as do leitor – existem seções específicas, como o editorial e as cartas dos leitores.O editorial, por veicular opiniões do jornal,caracteriza-se como um texto de natureza argumentativa. Sua linguagem é clara, objetiva e impessoal, com uso da variedade padrão formal da língua. Apresenta uma estrutura convencionalmente organizada em três partes: introdução, desenvolvimento e conclusão. A tese ou ponto de vista é fundamentada por comparação, exemplificações, depoimentos, pesquisas e dados estatísticos, citações, retrospectivas históricas, etc. Sua intenção é persuadir os leitores, esclarecer ou alterar seus pontos de vista, alertar a sociedade e, às vezes, até mobilizá-la.Exemplo de um trecho.Juventude ameaçadaO crescimento da aids, o aumento da criminalidade e a escala das drogas representam grave ameaça à juventude no limiar do novo milênio. O diagnóstico, sombrio, consta de recente relatório preparado pela Organização Mundial da Saúde (OMS).Para muitos jovens, “especialmente os que crescem em zonas urbanas pobres, os anos da adolescência serão os mais perigosos da vida”, sublinha o documento. Segundo o texto da OMS, o crescimento da aids pode comprometer os progressos na área da saúde infanto-juvenil feitos nas últimas décadas.Gravidez precoce, aborto, doenças sexualmente transmissíveis, aids e drogas compõem a trágica equação que ameaça destruir o sonho brasileiro.Dados do Sistema Único de Saúde (SUS) indicam que 54% das adolescentes sem escolaridade já ficaram grávidas. Os casos de aids em adolescente causados por relações sexuais aumentaram 200% entre 1990 e 1996, passando de 47 para 41. os números, impressionantes, contrastam com as sucessivas campanhas de educação ou de deseducação sexual (...)”( O Estado de S. Paulo, 27/5/1998).Observação: em textos científicos e argumentativos, como a crítica, o editorial, a dissertação, quase sempre se procura escrever com impessoalidade, pois essa característica confere maior credibilidade ao texto, como se ele contivesse verdades universais e indiscutíveis. Os textos com marcas de pessoalidade, ao contrário, tende a ser contraditório, tende a ser considerado subjetivo e, portanto, menos confiável quanto ao ponto de vista que defende.9- Texto publicitário:Em casa, na rua, pelo rádio ou pela TV, a todo instante recebemos inúmeras mensagens publicitárias. Muitas vezes gostamos delas, e não é à toa que a publicidade brasileira é considerada uma das mais criativas do mundo.O texto publicitário é quase sempre constituído por imagens e texto, linguagem persuasiva, direta e clara, estrutura variável, mas geralmente composta por: título, que chama a atenção sobre o produto – texto, que amplia o argumento do título – assinatura, logotipo ou marca do anunciante. Apresenta um nível de linguagem de acordo com o público que se pretende atingir com verbos geralmente no modo imperativo ou no presente do indicativo, uso de recursos como figuras de linguagem, ambigüidade, jogos de palavras, provérbios, etc.10- ReportagemExemplo: ACABOU O VESTIBULARCresce o número de escolas que selecionam calouros com métodos alternativos.Bruno Paes Manso“Quase 3 milhões de formandos no 2º grau estão neste momento se preparando para disputar os exames vestibulares. Pelo menos um terço desses adolescentes está matriculado em cursinhos para compensar as falhas de sua formação colegial. Às voltas com apostilas e pilhas de exercícios, dormem mal e enfrentam um stress violento. Pois bem. Esse inferno juvenil já tem remissão. “Acabou o vestibular”. É com essa notícia para lá de boa que a Faculdade da Cidade, uma universidade privada carioca, abre o seu site na Internet. Em São Paulo, as Faculdade Metropolitanas Unidas seguem um caminho parecido...”Com reportagem de Rodrigo Cardoso, De São Paulo, e Cristine Prestes, de Porto Alegre.(Veja, ed. 1574.)Características da reportagem:· Normalmente, apresenta título, lead e, em seguida, desenvolve de modo mais aprofundado fatos que interessam ao público a que se destina o jornal ou a revista;· Costuma estabelecer conexões entre o fato central e fatos paralelos, por meio de citações, trechos de entrevistas, boxes informativos, dados estatísticos, fotografias;· Pode ter um caráter opinativo, questionando as causas e o efeitos dos fatos, interpretando-os, orientando os leitores;· Apresenta versões e opiniões diferentes sobre um mesmo fato;· Linguagem impessoal, objetiva, direta, de acordo com a variedade padrão da língua.11- O contoÉ tipo de narrativa concentrada, que elimina as análises minuciosas de personagens ou ambiente, assim como as complicações de enredo, e delimita o espaço e o tempo. Ele caracteriza-se, geralmente, por apresentar um enredo, cuja estrutura contém as seguintes partes: apresentação, complicação, clímax e desfecho.Exemplo: Rachel de QueirozTragédia cariocaA menina vestia calças compridas e um casacão de malha, informa, de mangas arregaçadas. Sentou-se no sofá, cruzou as pernas longas, pediu licença para se servir de um dos meus cigarros. O nariz arrebitado, a pele borrifada de sardas, o cabelo curto de rapazinho dão-lhe um ar de grande imaturidade – quinze, dezesseis anos não mais. Ela diz que tem dezessete e está grávida. Meu Deus, como é que estão casando meninas assim tão novas? Mas olhando a mão esquerda da moça, não lhe vejo aliança. E, antes que eu possa fazer qualquer pergunta, ela é que vai explicando....”(In: A palavra é... mulher. São Paulo: Scipione, 1990. p.86-9)12 – A descriçãoQuando produzimos textos, podemos descrever, isto é, caracterizar com palavras os objetos, os seres e os lugares. Nas narrativas ficcionais, por exemplo, a descrição das personagens, dos objetos e dos lugares em que ocorrem as ações torna a história mais verossímil a atrai a atenção dos leitores.A descrição caracteriza-se por meio de imagens ou de palavras, seres e lugares. Emprega adjetivos, locuções adjetivas e orações adjetivas. Estabelece comparações e faz referências às impressões sensitivas: cores, formas, cheiros, gostos, impressões táteis.Exemplo:“Não é sem freqüência que, à tarde, chegando à janela, eu vejo um casalzinho de brotos que vem namorar sobre a pequenina ponte de balaustrada branca que há no parque. Ela é uma menina de uns treze anos, o corpo elástico metido num blue jeans e num suéter folgadão, os cabelos puxados para trás num rabinho-de-cavalo que está sempre a balançar para todos os lados; ele, um garoto de, no máximo, dezesseis, esguio, com pastas de cabelos a lhe tombar sobre a testa e um ar de quem descobriu a fórmula da vida...( Para viver um grande amor. Rio de Janeiro: J. Olympio, 1973. p. 39)13-Carta argumentativa· Constitui um texto de natureza argumentativa, que tem por finalidade defender o ponto de vista do locutor e persuadir o interlocutor.· Apresenta formato constituído pelas seguintes partes: data, vocativo, corpo do texto ( assunto), expressão cordial de despedida e assinatura.· O corpo é constituído por três partes essenciais: exposição do ponto de vista do autor ( ou idéia principal); desenvolvimento (com argumentos) desse ponto de vista; conclusão.· Verbos geralmente no presente do indicativo.· Predomínio da 1ª ou da 3ª pessoa.· Formas verbais geralmente no presente do indicativo e às vezes no imperativo.· Ao assinar a carta, devem ser usadas apenas as iniciais, de forma a não se identificar.14- O texto dissertativo-argumentativoDissertar é o mesmo que desenvolver ou explicar um assunto, discorrer sobre ele. Assim, o texto dissertativo pertence ao grupo dos textos expositivos, juntamente com o texto de apresentação científica, o relatório, o texto didático, o artigo enciclopédico. Em princípio o texto dissertativo não está comprometido com a persuasão e, sim, com a transmissão de conhecimentos.Os textos argumentativos, ao contrário, tem por finalidade principal persuadir o leitor sobre o ponto de vista do autor a respeito do assunto em questão.Quando o texto, além de explicar, também persuade o interlocutor e modifica seu comportamento, temos um texto dissertativo-argumentativo.· Expõe uma idéia ou um ponto de vista sobre determinado assunto; pode também conceituar ou definir um objeto, seja ele concreto ou abstrato.· Convencionalmente, apresenta três partes essenciais: tese ( ou idéia principal), desenvolvimento – argumentos- e, conclusão.· Linguagem direta, clara, objetiva e impessoal.· Predomínio do padrão culto e formal da língua.· Verbos predominantemente no presente do indicativo.Observação: Devemos ter cuidado com o senso comum ao escrevermos um texto dissertativo, pois além da baixa informatividade, também pode comprometer a qualidade. O emprego de argumentos baseados no senso comum, isto é, em julgamentos que, embora não apresentem nenhuma base científica, acabam sendo tomados como verdades sociais.Ex.:“Muitas pessoas pobres, ficam muitas vezes indignadas ao ver, uma outra pessoa como ela, só que não passa fome como ela, ou seja, é rica e na maioria, ladrão, que rouba do povo e isso faz com que a população fique revoltada, e se manifestará em conflitos entre camadas sociais no qual um favelado odeie outro de uma classe superior e tendo oportunidade para acabar como o outro não vai perder a chance”.(Redação de aluno, 3º ano do ensino médio)15-Anedota : é um texto que quase sempre, o humor não está em si, mas na falta de sintonia entre o texto e o contexto discursivoExemplo de uma anedota contada por Ziraldo“Dois garotos brigavam furiosamente na rua.Um senhor passa por eles e separa a briga.­- Você não tem vergonha? Bater num menino bem menor que você, seu covarde!E o menino:- O senhor queria o quê? Que eu ficasse esperando ele crescer?(Mais anedotas do Bichinho da Maçã. 10. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1993. p.27.)16-Contos de FadasQuem lê "Cinderela" não imagina que há registros de que essa história já era contada na China, durante o século IX d. C.. E, assim como tantas outras, tem-se perpetuado há milênios, atravessando toda a força e a perenidade do folclore dos povos, sobretudo, através da tradição oral.Pode-se dizer que os contos de fadas, na versão literária, atualizam ou reinterpretam, em suas variantes questões universais, como os conflitos do poder e a formação dos valores, misturando realidade e fantasia, no clima do "Era uma vez...".Por lidarem com conteúdos da sabedoria popular, com conteúdos essenciais da condição humana, é que esses contos de fadas são importantes, perpetuando-se até hoje. Neles encontramos o amor, os medos, as dificuldades de ser criança, as carências (materiais e afetivas), as auto-descobertas, as perdas, as buscas, a solidão e o encontro.Os contos de fadas caracterizam-se pela presença do elemento "fada". Etimologicamente, a palavra fada vem do latim fatum (destino, fatalidade, oráculo).Tornaram-se conhecidas como seres fantásticos ou imaginários, de grande beleza, que se apresentavam sob forma de mulher. Dotadas de virtudes e poderes sobrenaturais, interferem na vida dos homens, para auxiliá-los em situações-limite, quando já nenhuma solução natural seria possível.Podem, ainda, encarnar o Mal e apresentarem-se como o avesso da imagem anterior, isto é, como bruxas. Vulgarmente, se diz que fada e bruxa são formas simbólicas da eterna dualidade da mulher, ou da condição feminina.O enredo básico dos contos de fadas expressa os obstáculos, ou provas, que precisam ser vencidas, como um verdadeiro ritual iniciático, para que o herói alcance sua auto-realização existencial, seja pelo encontro de seu verdadeiro "eu", seja pelo encontro da princesa, que encarna o ideal a ser alcançado.Estrutura básica dos contos de fadas· Início - nele aparece o herói (ou heroína) e sua dificuldade ou restrição. Problemas vinculados à realidade, como estados de carência, penúria, conflitos, etc., que desequilibram a tranqüilidade inicial;· Ruptura - é quando o herói se desliga de sua vida concreta, sai da proteção e mergulha no completo desconhecido;· Confronto e superação de obstáculos e perigos - busca de soluções no plano da fantasia com a introdução de elementos imaginários;· Restauração - início do processo de descobrir o novo, possibilidades, potencialidades e polaridades opostas;· Desfecho - volta à realidade. União dos opostos, germinação, florescimento, colheita e transcendência.17- Lendas (do latim legenda/legen - ler)Nas primeiras idades do mundo, os seres humanos não escreviam, mas conservavam suas lembranças na tradição oral. Onde a memória falhava, entrava a imaginação para suprir-lhe a falta. Assim, esse tipo de texto constitui o resumo do assombro e do temor dos seres humanos diante do mundo e uma explicação necessária das coisas da vida.A lenda é uma narrativa baseada na tradição oral e de caráter maravilhoso, cujo argumento é tirado da tradição de um dado lugar. Sendo assim, relata os acontecimentos numa mistura entre referenciais históricos e imaginários. Um sistema de lendas que tratem de um mesmo tema central constituem um mito (mais abrangente geograficamente e sem fixação no tempo e no espaço).A respeito das lendas, registra o folclorista brasileiro Câmara Cascudo no livro Literatura Oral no Brasil:Iguais em várias partes do mundo, semelhantes há dezenas de séculos, diferem em pormenores, e essa diferenciação caracteriza, sinalando o típico, imobilizando-a num ponto certo da terra. Sem que o documento histórico garanta veracidade, o povo ressuscita o passado, indicando as passagens, mostrando, como referências indiscutíveis para a verificação racionalista, os lugares onde o fato ocorreu. (CASCUDO, 1978 , p. 51)A lenda tem caráter anônimo e, geralmente, está marcada por um profundo sentimento de fatalidade. Tal sentimento é importante, porque fixa a presença do Destino, aquilo contra o que não se pode lutar e demonstra o pensamento humano dominado pela força do desconhecido.O folclore brasileiro é rico em lendas regionais. Destacam-se entre as lendas brasileiras os seguintes títulos: "Boitatá", "Boto cor-de-rosa", "Caipora ou Curupira", "Iara", "Lobisomem", "Mula-sem-cabeça", "Negrinho do Pastoreio", "Saci Pererê" e "Vitória Régia".Nas primeiras idades do mundo, os homens não escreviam. Conservavam suas lembranças na tradição oral. Onde a memória falhava, entrava a imaginação para supri-la e a imaginação era o que povoava de seres o seu mundo.Todas as formas expressivas nasceram, certamente, a partir do momento em que o homem sentiu necessidade de procurar uma explicação qualquer para os fatos que aconteciam a seu redor: os sucessos de sua luta contra a natureza, os animais e as inclemências do meio ambiente, uma espécie de exorcismo para espantar os espíritos do mal e trazer para sua vida os atos dos espíritos do bem.A lenda, em especial as mitológicas, constitui o resumo do assombro e do temor do homem diante do mundo e uma explicação necessária das coisas. A lenda, assim, não é mais do que o pensamento infantil da humanidade, em sua primeira etapa, refletindo o drama humano ante o outro, em que atuam os astros e meteoros, forças desencadeadas e ocultas.A lenda é uma forma de narrativa antiqüíssima, cujo argumento é tirado da tradição. Relato de acontecimentos, onde o maravilhoso e o imaginário superam o histórico e o verdadeiro.Geralmente, a lenda está marcada por um profundo sentimento de fatalidade. Este sentimento é importante, porque fixa a presença do Destino, aquilo contra o que não se pode lutar e demonstra, irrecusavelmente, o pensamento do homem dominado pela força do desconhecido.De origem muitas vezes anônima, a lenda é transmitida e conservada pela tradição oral.18- Fábulas (do latim- fari - falar e do grego - Phao - contar algo)Narrativa alegórica de uma situação vivida por animais, que referencia uma situação humana e tem por objetivo transmitir moralidade. A exemplaridade desses textos espelha a moralidade social da época e o caráter pedagógico que encerram. É oferecido, então, um modelo de comportamento maniqueísta; em que o "certo" deve ser copiado e o "errado", evitado. A importância dada à moralidade era tanta que os copistas da Idade Média escreviam as lições finais das fábulas com letras vermelhas ou douradas para destacar.A presença dos animais deve-se, sobretudo, ao convívio mais efetivo entre homens e animais naquela época. O uso constante da natureza e dos animais para a alegorização da existência humana aproximam o público das "moralidades". Assim apresentam similaridade com a proposta das parábolas bíblicas.Algumas associações entre animais e características humanas, feitas pelas fábulas, mantiveram-se fixas em várias histórias e permanecem até os dias de hoje.leão - poder reallobo - dominação do mais forteraposa - astúcia e espertezacordeiro - ingenuidadeA proposta principal da fábula é a fusão de dois elementos: o lúdico e o pedagógico. As histórias, ao mesmo tempo que distraem o leitor, apresentam as virtudes e os defeitos humanos através de animais. Acreditavam que a moral, para ser assimilada, precisava da alegria e distração contida na história dos animais que possuem características humanas. Desta maneira, a aparência de entretenimento camufla a proposta didática presente.A fabulação ou afabulação é a lição moral apresentada através da narrativa. O epitímio constitui o texto que explicita a moral da fábula, sendo o cerne da transmissão dos valores ideológicos sociais.Acredita-se que esse tipo de texto tenha nascido no século XVIII a.C., na Suméria. Há registros de fábulas egípsias e hindus, mas atribui-se à Grécia a criação efetiva desse gênero narrativo. Nascido no Oriente, vai ser reinventado no Ocidente por Esopo (Séc. V a.C.) e aperfeiçoado, séculos mais tarde, pelo escravo romano Fedro (Séc. I a.C.) que o enriqueceu estilisticamente. Entretanto, somente no século X, começaram a ser conhecidas as fábulas latinas de Fedro.Ao francês Jean La Fontaine (1621/1692) coube o mérito de dar a forma definitiva a uma das espécies literárias mais resistentes ao desgaste dos tempos: a fábula, introduzindo-a definitivamente na literatura ocidental. Embora tenha escrito originalmente para adultos, La Fontaine tem sido leitura obrigatória para crianças de todo mundo.Podem-se citar algumas fábulas imortalizadas por La Fontaine: "O lobo e o cordeiro", "A raposa e o esquilo", "Animais enfermos da peste", "A corte do leão", "O leão e o rato", "O pastor e o rei", "O leão, o lobo e a raposa", "A cigarra e a formiga", "O leão doente e a raposa", "A corte e o leão", "Os funerais da leoa", "A leiteira e o pote de leite".O brasileiro Monteiro Lobato dedica um volume de sua produção literária para crianças às fábulas, muitas delas adaptadas de Fontaine. Dessa coletânea, destacam-se os seguintes textos: "A cigarra e a formiga", "A coruja e a águia", "O lobo e o cordeiro", "A galinha dos ovos de ouro" e "A raposa e as uvas".Gênero Narrativo: O Gênero Narrativo nada mais faz, a não ser narrar uma história, e assim o faz de diversas formas. As narrativas utilizam-se de diferentes linguagens: a verbal (oral ou escrita), a visual (por meio da imagem), a gestual (por meio de gestos) etc. É classificado assim, todo texto em que traz foco narrativo, enredo, personagens, tempo e espaço, conflito, clímax e desfecho.· Romance é um texto completo, com tempo, espaço e personagens bem definidos de caráter verossímil.Fábula é um texto de caráter fantasiástico que busca ser inverossímil (não tem nenhuma semelhança com a realidade). Os personagens principais são animais, e a finalidade é transmitir alguma lição de moral· Epopéia ou Épico é uma narrativa feito em versos, num longo poema que ressalta os feitos de um herói ou as aventuras de um povo. Um bom exemplo é Os Lusíadas (Camões, Luís), Ilíada e Odisséia (Homéro).· Novela é um texto caracterizado por ser intermediário entre a longevidade do romance e a brevidade do conto. O personagem se caracteriza existencialmente em poucas situações. Exemplos de novela são: O alienista (Machado de Assis) e A metamorfose (Kafka).· Conto texto narrativo breve, e de ficção, geralmente em prosa que conta situações rotineiras, anedotas e até folclores (conto popular).Caracteriza-se por personagens brevemente retratados. Inicialmente fazia parte da literatura oral, Boccaccio foi o primeiro a transformá-lo em escrita publicando Decamerão.· Crônica narrativa informal, ligada à vida cotidiana, com linguagem coloquial, breve e com toque de humor e crítica.Gênero Lírico: É na maioria das vezes expressa pela poesia. Entretanto é de suma importância ressaltar que nem toda poesia pertence ao gênero lírico. Exemplo:Beethoven Surdo - Olavo BilacSurdo, na universal indiferença, um dia,Beethoven, levantando um desvairado apelo,Sentiu a terra e o mar num mudo pesadelo...E o seu mundo interior cantava e restrugia.Torvo o gesto, perdido o olhar, hirto o cabelo,Viu, sobre a orquestração que no seu crânio havia,Os astros em torpor na imensidade fria,O ar e os ventos sem voz, a natureza em gelo.Era o nada, a eversão do caos no cataclismo,A síncope do som do páramo profundo,O silêncio, a algidez, a vácuo, o horror no abismo...E Beethoven, no seu supremo desconforto,Velho e pobre, caiu, como um deus moribundo,Lançando a maldição sobre o universo morto!A poesia acima pertence ao gênero épico, pois retrata a história de vida de Beethoven seguindo uma ordem cronológica de tempo. Nesta poesia o autor conhece o começo, meio e fim de toda a história e a conta em terceira pessoa do singular. Isso significa que nem toda poesia pertence ao gênero lírico, mas a grande parte se encaixa nesta definição.Esse gênero se preocupa principalmente com o mundo interior de quem escreve o poema: o eu-lírico. Os acontecimentos exteriores funcionam como estímulo para o poeta escrever. O que é fundamental em um poema é o trabalho com as palavras, que dá margem à compreensão da emoção, dos pensamentos, sentimentos do eu lírico e, muitas vezes, levam à reflexão. Portanto, sendo geralmente escrito na primeira pessoa do singular.Na poesia moderna encontram-se muitas manifestações poéticas que criticam a realidade social em que ela está inserida e onde está circulando. Um dos papéis mais importantes do poema é manter viva a experiência histórica da humanidade e registrar os preceitos das épocas que vão se transformando.No entanto, mesmo quando na poesia o escritor fala da sua experiência e/ou do seu tempo, ele o faz de uma forma diferenciada daquela que geralmente se encontra nos registros dos outros gêneros textuais; nesse caso, o poeta faz uso da memória da linguagem de um passado presente, que se alimenta, entre outras coisas, do inconsciente. A importância da palavra no poema é tão relevante que é possível aproveitar toda a riqueza fonética, morfológica e sintática da língua e, através dela, constroem-se várias maneiras de provocar sensações no íntimo do leitor.· Ode é um Texto de cunho entusiástico e melódico, em geral uma música.· Hino é um texto de cunho glorificador ou até santificador. Os hinos de países e as músicas religiosas são exemplos de hino.· Soneto texto em poesia com 14 versos, caracterizado em dois quartetos e três tercetos, com rima geralmente em A-B-A-B A-B-B-A C-D-C D-C-D.· Haicai ou Haiku é uma forma de poesia japonesa, sem rima constituídos normalmente por 3 versos na ordem de 5-7-5 sílabas.Gênero DramáticoÉ composto de textos que foram escritos para serem encenados em forma de peça de teatro. Para o texto dramático se tornar uma peça, ele deve primeiro ser transformado em um roteiro, para depois poder ser transformado em um texto do gênero espetacular.É muito difícil ter uma definição de texto dramático que o diferencie dos demais gêneros textuais, já que existe uma tendência atual muito grande em teatralizar qualquer tipo de texto. No entanto, a principal característica do texto dramático é a presença do chamado texto principal, composto pela parte do texto que deve ser dito pelos autores na peça e que, muitas vezes, é induzido pelas indicações cênicas, texto também chamado de secundário.Já que não existe narrador nesse tipo de texto, o drama é dividido entre as duas personagens locutoras, que entram em cena pela citação de seus nomes.Subclassificações dos Gêneros:Elegia é um texto de exaltação à morte de alguém, sendo que a morte é elevada como o ponto máximo do texto. Um bom exemplo é a grande peça Romeu e Julieta, de William Shakespeare.Epitalâmia é um texto relativo às noites nupciais líricas, ou seja, noites românticas com poemas e cantigas. Um bom exemplo de epitalâmia é a peça Romeu e Julieta nas noites nupciais.Sátira é um texto de caráter ridicularizador, podendo ser também uma crítica indireta a algum fato ou a alguém. Uma piada é um bom exemplo de sátira.Farsa é um texto onde os personagens principais podem ser duas ou mais pessoas diferentes e não serem reconhecidos pelos feitos dessa pessoa.
Postado por Valéria Nery às Domingo, Novembro 09, 2008
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