segunda-feira, 31 de agosto de 2009

Ortoépia e Prosódia

Ortoépia e Prosódia
ORTOÉPIA
Ortoépia é a correta pronúncia dos grupos fônicos.
A ortoépia está relacionada com: a perfeita emissão das vogais, a correta articulação das consoantes e a ligação de vocábulos dentro de contextos.
Erros cometidos contra a ortoépia são chamados de cacoepia. Alguns exemplos: a- pronunciar erradamente vogais quanto ao timbre: pronúncia correta, timbre fechado (ê, ô): omelete, alcova, crosta...pronúncia errada, timbre aberto (é, ó):omelete, alcova,crosta... b- omitir fonemas: cantar/ canta, trabalhar/trabalha, amor/amo, abóbora/abóbra,prostrar/ prostar, reivindicar/revindicar...c- acréscimo de fonemas: pneu/peneu, freada/ freiada,bandeja/ bandeija...d- substituição de fonemas: cutia/cotia, cabeçalho/ cabeçário, bueiro/ boeiroe- troca de posição de um ou mais fonemas: caderneta/ cardeneta, bicarbonato/ bicabornato, muçulmano/ mulçumanof- nasalização de vogais: sobrancelha/ sombrancelha, mendigo/ mendingo, bugiganga/ bungiganga ou bugingangag- pronunciar a crase: A aula iria acabar às cinco horas./ A aula iria acabar àas cinco horash- ligar as palavras na frase de forma incorreta:correta: A aula/ iria acabar/ às cinco horas.exemplo de ligação incorreta: A/ aula iria/ acabar/ às/ cinco horas.
PROSÓDIAA prosódia está relacionada com a correta acentuação das palavras tomando como padrão a língua considerada culta.
Abaixo estão relacionados alguns exemplos de vocábulos que freqüentemente geram dúvidas quanto à prosódia:1) oxítonas:
cateter, Cister, condor, hangar, mister, negus, Nobel, novel, recém, refém, ruim, sutil, ureter.2) paroxítonas:
avaro, avito, barbárie, caracteres, cartomancia,ciclope, erudito, ibero, gratuito, ônix, poliglota, pudico, rubrica, tulipa.3) proparoxítonas:
aeródromo, alcoólatra, álibi, âmago,antídoto, elétrodo, lêvedo, protótipo, quadrúmano, vermífugo, zéfiro.Há algumas palavras cujo acento prosódico é incerto, oscilante, mesmo na língua culta. Exemplos:acrobata e acróbata / crisântemo e crisantemo/ Oceânia e Oceania/ réptil e reptil/ xerox e xérox e outras.Outras assumem significados diferentes, de acordo a acentuação:Exemplo: valido/ válidoVivido /Vívido Fonte: www.portugues.com.br
ORTOÉPIA E PROSÓDIA Ortoepia trata da correta pronúncia das palavras.
Exemplo: "advogado", e não "adevogado" (o d é mudo). Prosódia trata da correta acentuação tônica das palavras. Exemplo: "rubrica" (palavra paroxítona), e não "rúbrica" (palavra proparoxítona). Dessa forma, segue abaixo uma lista das principais palavras que normalmente apresentam dúvidas quanto à sua pronúncia e tonicidade corretas. ACRÓBATA / ACROBATA: Esta palavra, COMO MUITAS OUTRAS DE NOSSA lÍNGUA, admite as duas pronúncias: acróbata, com ênfase na sílaba "cró", ou acrobata, com força na sílaba "ba". Também é indiferente dizer Oceânia ou Oceania, transístor ou transistor (com força na sílaba "tor", com o "ô" fechado). ALGOZ (carrasco):Palavra oxítona, cuja pronúncia do "o" deve ser fechada (algôz, = arroz). AUTÓPSIA / NECROPSIA: Apesar de autópsia ter como vogal tônica o "ó", a forma necropsia, que possui o mesmo significado, deve ser pronunciada com ênfase no "i".AZÁLEA / AZALÉIA: Segundo os melhores dicionários, estas duas formas são aceitáveis; AVARO (indivíduo muito apegado ao dinheiro): deve ser pronunciada como paroxítona (acento tônico na sílaba va), e por terminar em "o", não deve ser acentuada. BOÊMIA: De origem francesa, relativa à cidade de Boéme, esta palavra tem sua sílaba forte no "ê", e não no "mi". CARÁTER: Paroxítona que apresenta o plural caracteres, tendo o acréscimo da letra "c", e o deslocamento do acento tônico da sílaba "ra" para a sílaba "te", sem o emprego de acento gráfico. CATETER, MISTER e URETER: Todas possuindo sua acentuação tônica na última sílaba (tér), sendo assim oxítonas. CHICLETE / CHOPE / CLIPE / DROPE: Quando se referindo a uma só unidade de cada um destes produtos, deve-se falar "um chiclete, um chope, um clipe, um drope", e não "um chicletes, um chopes, um clipes, um dropes". Existe, ainda, a variante "chiclé" (um chiclé, dois chiclés). CUPIDO e CÚPIDO: A primeira forma (paroxítona e sem acento) significa o deus alado do amor; a segunda (proparoxítona) tem o sentido de ávido de dinheiro, ambicioso, também pode ser usada como possuído de desejos amorosos. EXTINGUIR: A sílaba "guir" desta palavra deve ser pronunciada como nas palavras "perseguir", "seguir", "conseguir". Isso também vale para "distinguir". FLUIDO:Pronuncia-se como a forma verbal "cuido", verbo cuidar (com força no u). Assim também GRATUITO, CIRCUITO, INTUITO, fortuito. No entanto, o particípio do verbo fluir é "fluído", acontecendo aqui um hiato, onde a vogal tônica agora passa a ser o "í". IBERO:Pronuncia-se como paroxítona (ênfase na sílaba BE, IBÉRO). INEXORÁVEL (= austero, rígido, inabalável...): esse "x" lê-se como os de exemplo, exame, exato, exercício, isto é, com o som de "z". LÁTEX:tendo seu acento tônico na penúltima sílaba e terminando com a letra x, é uma palavra paroxítona, e como tal deve ser pronunciada e acentuada. MAQUINARIA:O acento tônico deve recair na sílaba "ri", e não sobre a sílaba "na". NÉON:Muitos dicionários apresentam esta palavra como paroxítona, sendo acentuada por terminar em "n"; no entanto, o dicionário Michaelis Melhoramentos, recentemente editado, traz as duas grafias: néon (paroxítona) e neon (oxítona). NOVEL e NOBEL: Palavras oxítonas que não devem ser acentuadas. OBESO: palavra paroxítona que deve ser pronunciada com o "e" aberto (obéso). Também são abertos o "e" de outras paroxítonas como "coeso" (coéso), "obsoleto" (obsoléto), o "o" de "dolo" (dólo), o "e" de "extra" (éxtra) e o "e" de "blefe" (bléfe). Apresentam-se, porém, fechados o "e" de "nesga" (nêsga), o de "destro" (dêstro), e o "o" "torpe" (tôrpe). OPTAR: ao se conjugar este verbo na 1ª pessoa do singular do presente do indicativo, deve-se pronunciar "ópto", e não "opito". Assim também em relação às formas verbais "capto, adapto, rapto" - todas com força na sílaba que vem antes do "p". PROJÉTIL / PROJETIL:Ambas as formas têm o mesmo significado, apesar de a primeira ser paroxítona e a segunda oxítona. Plurais: PROJÉTEIS / PROJETIS. PUDICO (aquele que tem pudor, envergonhado): palavra paroxítona (ênfase na sílaba "di"). RECORDE: Deve ser pronunciada como paroxítona (recórde). RÉPTIL / REPTIL:Mesmo caso da palavra PROJÉTIL. Plurais. RÉPTEIS / REPTIS. RUBRICA: palavra paroxítona, e não proparoxítona como se costuma pensar (ênfase na sílaba "bri"). RUIM: palavra oxítona (ruím). RUPIA / RÚPIA:A primeira forma se refere à moeda utilizada na Indonésia (força no "i") e a segunda é relativa a uma planta aquática (com ênfase no "ú"). SUBSÍDIOS: a pronúncia correta é com som de "ss", e não "z" (subssídios). SUTIL e SÚTIL: A primeira forma, sendo oxítona, significa "tênue, delicado, hábil"; a segunda, paroxítona, significa "tudo aquilo que é composto de pedaços costurados". TÓXICO: pronuncia-se com o som de "cs" = tócsico. NotaExiste alguma discordância quanto ao som do "x" de "hexa-". O Dicionário Aurélio - Século XXI, o Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa - da Academia Brasileira de Letras, e o dicionário de Caldas Aulete dizem que esse "x" deve ter o som de "cs", e deve ser pronunciado como o "x" de "fixo", "táxi", "tóxico", etc. Já o "Houaiss" diz que esse "x" corresponde a "z", portanto deve ser lido como o "x" de "exame", "exercício", "êxodo", etc.. Na língua falada do Brasil, nota-se interessante ambigüidade: o "x" de "hexágono" normalmente é lido como "z", mas o de "hexacampeão" costuma ser lido como "cs".

Estrutura da Dissertação
É uma modalidade de composição que visa análisar, ou comentar expositivamente conceitos ou idéias sobre um determinado assunto. Pode apresentar-se de forma expositiva ou argumentativa. Possui uma natureza reflexiva que consiste na ordenação dessas idéias a respeito de um determinado assunto contido em um uma frase-tema, um conjunto de textos verbais, não-verbais, ou até mesmo uma mescla de textos.

Dissertar é debater. Para discutirmos questões dos variados assuntos que a sociedade nos apresenta precisamos da Dissertação. Aquele que desenvolve uma dissertação é comumente denominado de Enunciador de idéias. Como enunciadores somos nós que desenvolvemos o texto dissertativo sem usar primeira pessoa, expressando o nosso ponto de vista para desenvolvê-lo com concisão e clareza. Essas idéias fundamentam nossa posição. É por isso que toda dissertação deve ser desenvolvida em terceira pessoa. Estabelecer nos parágrafos do desenvolvimento as relações de causa e conseqüência, contribui para um texto correto e conciso. Frases curtas, linguagem direta apresenta um texto com estrutura organizada e lógicidade de idéias.

A Estrutura do texto Dissertativo
São três as partes básicas de uma redação: Introdução, Desenvolvimento e Conclusão. Isso necessariamente não quer dizer que uma dissertação tenha que ter três parágrafos. O mínimo de parágrafos lógicos seriam quatro e no máximo cinco, por se tratar de um texto para leitura rápida e concisa.
Na Introdução de texto dissertativo encontramos a delimitação de um tema, através de frases chamadas de argumentos, ou idéias secundárias, de uma idéia central que conhecemos como assunto, o assunto do tema que amarrará os parágrafos do desenvolvimento – sugestão ou duas, ou no máximo três;
No Desenvolvimento do texto dissertativo trabalharemos as frases idéias, ou argumentos observando a estrutura padrão de um parágrafo de desenvolvimento que apresentarei mais adiante, apresentando sua causa e conseqüência e exemplos sempre no fim parágrafo para mostrar harmonia;
A Conclusão no texto dissertativo também uma estrutura padrão, chega de inventar, até para finalizar um texto devemos seguir regras. Seguindo-as o resultado final da redação será primoroso.
Eis o Esquema Estrutural que poderá ajudá-lo a fazer sua dissertação:


Acima temos um modelo para uma redação com cinco parágrafos, abaixo segue o desenvolvimento de uma redação a partir do seguinte tema:
“ÁGUA, CULTURA E CIVILIZAÇÃO”
No mundo moderno, incrivelmente globalizado, ocorre uma tendência a valorização do lucro em detrimento a fatores de grande importância para a sobrevivência humana. Pois, a falta de água potável no futuro trará conseqüências hediondas. Mas, há uma cultura que pode ser formada através da educação ambiental nas escolas para as nossas crianças e, além do mais, descaso de nossos governantes aponta para uma civilização em crise e em processo de autodestruição.
Embora, o homem não tenha dado o valor devido à importância da água para sua subsistência. Estudiosos prevêem que daqui a 50 faltará água potável. Que ironia para o ser humano que vive em um planeta composto por 2/3 de água. Lembrando que 2% da água da terra é doce e o mais criminoso é que 5% dos 2% está poluída. Além da destruição de seu “habitat” natural, o aumento demográfico é absurdo, poluindo o que ainda resta, sem nenhuma ação governamental para conter esta realidade terrível e inevitável.
Ainda com a falta de políticas públicas, contribuindo para esse descaso. Sem um processo de Educação Ambiental nada pode ser feito contra essa escassez. Preparar a cultura dos herdeiros da terra para essa mudança de postura, já entranhada dentro de nossos governantes que por não terem interesses políticos nada fazem, é essencial.
Mesmo, diante dessas grandes civilizações que dominam o planeta, algumas que surgiram, ou tem como modelo, se organizarem perto dos grandes rios como vemos o Tigre, Eufrates, Amarelo, Nilo, Mississipi, Rio Grande, Amazonas e outros. Não foi mera coincidência, antes sim suas necessidades de vitalidade e de preservação de suas espécies. A água é vital para todos os seres vivos, é usada em rituais desde a antiguidade. Logo pode existir a humanidade sem seu líquido precioso que é a água.
Assim, esse bem tão precioso, que para alguns pensadores da Grécia Antiga foi o princípio de tudo, só terá relevância, com preocupação no âmbito mundial, quando a catástrofe estiver pronta. Todos os dias os avisos são dados, com a natureza se rebelando, pó enquanto são os outros seres que estão entrando em extinção. Quando chegar a vez do bicho homem, só assim, ele irá se preocupar, mas já será tarde demais.
Outros temas:
1. Prova de Redação do Enem 2006










2. Temas (Frases)
“Quem decide pode errar: quem não decide já errou”.
“O outro nome da paz é justiça”.
“A capacidade de ouvir o adversário da à medida do amor a liberdade”.
Lembre-se que o Ponto de vista é a mágica da redação. É a primeira frase para iniciar a delimitação do tema. Aquela que vem em primeiro lugar na sua mente. Está presente em seu pensamento após ler qualquer texto. É a primeira idéia que você tem do assunto. Supondo que você fosse dissertar sobre um tema simples e comum que todos usam para explicar ponto de vista. “A TELEVISÃO”.

O que geralmente chamamos de idéias são pontos de visão do tema, que inseridos em uma frase servem como frase inicial. A primeira frase para iniciar o primeiro parágrafo O Ponto de Vista. O Ponto de Vista depende de sua capacidade de leitura e absorção de idéias, conhecimentos. Quanto mais informação você tem melhor para desenvolver e expor suas idéias na forma escrita. É por isso que eu sempre afirmei para meus alunos e agora na internet me permitam finalizar com a minha eterna frase.
“Só se escreve sobre aquilo que se conhece. – Robson Moura”.
Vícios de Linguagem
BARBARISMO
É o emprego de vocábulos, expressões e construções alheias ao idioma. Os estrangeirismos que entram no idioma por um processo natural de assimilação de cultura assumem aspecto de sentimento político-patriótico que, aos olhos dos puristas extremados, trazem o selo da subserviência e da degradação do país.
Esquecem-se de que a língua, como produto social, registra, em tais estrangeirismos, os contactos de povos. Este tipo de patriotismo lingüístico (Leo Spitzer lhe dava pejorativamente o nome de "patriotite") é antigo e revela reflexos de antigas dissensões históricas. Bréal lembra que os filólogos gregos que baniam os vocábulos turcos do léxico continuavam, à sua moda, a guerra da independência. Entre nós o repúdio ao francesismo ou galicismo nasceu da repulsa, aliás, justa, dos portugueses aos excessos dos soldados de Juno quando Napoleão ordenou a invasão de Portugal.
O que se deve combater é o excesso de importação de línguas estrangeiras, mormente aquela desnecessária por se encontrarem no vernáculo vocábulos equivalentes.
CACÓFATO
Palavra de origem grega que significa "mau som", RESULTANTE DA aproximação das sílabas finais de uma palavra com as iniciais de outra, formando uma terceira de "som desagradável".
Exemplos:
Durante a Olimpíada de Atlanta, um repórter afirmou com muita ênfase: "Até hoje, o atletismo era o esporte que havia dado mais medalhas para o Brasil."
Na transmissão do jogo Brasil x Coréia, ouviu-se: "Flávio Conceição pediu a bola e Cafu deu."
Cacófatos mais conhecidos:
"Uma prima minha...", "Na boca dela...", "Na vez passada...", "Eu vi ela...", "Teu time nunca ganha", entre outros.
Segundo o gramático e filólogo Napoleão Mendes de Almeida "Só haverá cacofonia quando a palavra produzida for torpe, obscena ou ridícula. É infundado o exagerado escrúpulo de quem diz haver cacófato em 'por cada', 'ela tinha' e 'só linha'." No mesmo caso podemos incluir "uma mão" e "já tinha".
No meio empresarial, corre uma história muito curiosa. Dizem que uma engenheira química, durante visita a uma indústria, recebeu a seguinte pergunta: "Que a senhora faria se este problema ocorresse em sua fábrica?" Ela respondeu secamente: "Eu mandaria um químico meu." A resposta causou constrangimento. Todos disfarçaram e continuaram a reunião. Lá pelas tantas, nova pergunta: "E neste caso?" Nova resposta: "Eu mandaria um outro químico meu." Foram tantos "químico meu" que um diretor mais preocupado perguntou: "Mas...foi a fábrica toda?" Ela deve ter voltado para casa sem saber o porquê de tanto sucesso.
REDUNDÂNCIA
Palavra ou expressão desnecessária, por indicar idéia que já faz parte de outra passagem do texto.
Exemplos:
Você sabe o que significa "elo"? Além de sinônimo de argola, figurativamente elo pode significar "ligação, união". Então "elo de ligação" é outro belíssimo caso de redundância. Basta dizer que alguma coisa funciona como elo, e não que funciona como "elo de ligação".
O mesmo raciocínio se aplica em casos como o de "criar mil novos empregos". Pura redundância. Basta dizer "criar mil empregos".
Se é consenso, é geral. É redundante dizer "Há consenso geral em relação a isso". Basta dizer que há consenso.
Prefiro mais é errado. A força do prefixo (pre) dispensa o advérbio (mais). Diga sempre: prefiro sair sozinha; prefiro comer carne branca. Nada mais!
Outros exemplos de redundância:
"Acabamento final" (O acabamento vem no fim mesmo)
"Criar novas teorias" (O que se cria é necessariamente novo)

"Derradeira última esperança" (Derradeira é sinônimo de última)
"Ele vai escrever a sua própria autobiografia" (Autobiografia é a biografia de si mesmo)
"Houve contatos bilaterais entre as duas partes" (Basta: "bilaterais
entre as partes")
"O nível escolar dos alunos está se degenerando para pior" (É impossível degenerar para melhor)
"O concurso foi antecipado para antes da data marcada" (Será que dá para antecipar para depois?)
"Ganhe inteiramente grátis" (Se ganhar só pode ser grátis, imagine inteiramente grátis. Parece que alguém pode ganhar alguma coisa parcialmente grátis)

"Por decisão unânime de toda a diretoria" (Boa foi a decisão unânime só da metade da diretoria!)
"O juiz deferiu favoravelmente" (Se não fosse favoravelmente, o juiz tinha indeferido)
"Não perca neste fim de ano, as previsões para o futuro" (Ainda estamos para ver as previsões para o passado!)
SOLECISMO
Colocação inadequada de algum termo, contrariando as regras da norma culta em relação à sintaxe (parte da gramática que trata da disposição das palavras na frase e das frases no período).
Exemplos:
Me esqueci (em lugar de: Esqueci-me).
Não falou-me sobre o assunto (em lugar de: Não me falou sobre o assunto)
Eu lhe abracei (por: Eu o abracei)
A gente vamos (por: A gente vai)
Tu fostes (por: Tu foste)
ALGUMAS MANEIRAS DE FALAR OU ESCREVER ERRADO (TAUTOLOGIA)
A tautologia é um dos vícios de linguagem que consiste em dizer ou escrever a mesma coisa, por formas diversas, meio parecida com pleonasmo ou redundância. O exemplo clássico é o famoso subir para cima ou descer para baixo. Mas há ainda muitos outros.
Observe a lista abaixo. Se vir alguma que já usou, procure não utilizar mais.
- Acabamento final;
- Quantia exata;
- Nos dias 8, 9 e 10, inclusive;
- Superávit positivo;
- Todos foram unânimes;
- Habitat natural;
- Certeza absoluta;
- Quantia exata;
- Sugiro, conjecturalmente;
- Nos dias , e inclusive;
- Como prêmio extra;
- Juntamente com;
- Em caráter esporádico;
- Expressamente proibido;
- Terminantemente proibido;
- Em duas metades iguais;
- Destaque excepcional;
- Sintomas indicativos;
- Há anos atrás;
- Vereador da cidade;
- Outra alternativa;
- Detalhes minuciosos / pequenos detalhes;
- A razão é porque;
- Interromper de uma vez;
- Anexo (a) junto a carta;
- De sua livre escolha;
- Superávit positivo;
- Vandalismo criminoso;
- Palavra de honra;
- Conviver junto;
- Exultar de alegria;
- Encarar de frente;
- Comprovadamente certo;
- Fato real;
- Multidão de pessoas;
- Amanhecer o dia;
- Criar novos empregos;
- Retornar de novo;
- Freqüentar constantemente;
- Empréstimo temporário;
- Compartilhar conosco;
- Surpresa inesperada;
- Completamente vazio;
- Colocar algo em seu respectivo lugar;
- Escolha opcional;
- Continua a permanecer;
- Passatempo passageiro;
- Atrás da retaguarda;
- Planejar antecipadamente;
- Repetir outra vez / de novo;
- Sentido significativo;
- Voltar atrás;
- Abertura inaugural;
- Pode possivelmente ocorrer;
- A partir de agora;
- Última versão definitiva;
- Obra-prima principal;
- Gritar/ Bradar bem alto;
- Propriedade característica;
- Comparecer em pessoa;
- Colaborar com uma ajuda / auxílio;
- Matriz cambiante;
- Com absoluta correção/ exatidão;
- Demasiadamente excessivo;
- Individualidade inigualável;
- A seu critério pessoal;
- Abusar demais;
- Preconceito intolerante;
- Medidas extremas de último caso;
- De comum acordo;
- Inovação recente;
- Velha tradição;
- Beco sem saída;
- Discussão tensa;
- Imprensa escrita;
- Sua autobiografia;
- Sorriso nos lábios;
- Goteira no teto;
- General do Exército;
(Só existem generais no Exército)

- Brigadeiro da Aeronáutica;
(Só existem brigadeiros na Aeronáutica)
- Almirante da Marinha;
(Só existem almirantes na Marinha)
- Manter o mesmo time;
- Labaredas de fogo;
- Erário público;
(Os dicionários ensinam que erário é o tesouro público, por isso,
basta dizer somente erário)
- Despesas com gastos;
- Monopólio exclusivo;
- Ganhar grátis;
- Países do mundo;
- Viúva do falecido;
- elo de ligação;
- criação nova;
- exceder em muito;
- Expectativas, planos ou perspectivas para o futuro.


VÍCIOS DE LINGUAGEM
DEFINIÇÃO
São alterações defeituosas que sofre a língua em sua pronúncia e escrita devidas à ignorância do povo ou ao descaso de alguns escritores. São devidas, em grande parte, à suposta idéia da afinidade de forma ou pensamento.
Os vícios de linguagem são: barbarismo, anfibologia, cacofonia, eco, arcaísmo, vulgarismo, estrangeirismo, solecismo, obscuridade, hiato, colisão, neologismo, preciosismo, pleonasmo.
BARBARISMO
É o vício de linguagem que consiste em usar uma palavra errada quanto à grafia, pronúncia, significação, flexão ou formação. Assim sendo, divide-se em: gráfico, ortoépico, prosódico, semântico, morfológico e mórfico.
Gráficos: hontem, proesa, conssessiva, aza, por: ontem, proeza, concessiva e asa.
Ortoépicos: interesse, carramanchão, subcistir, por: interesse, caramanchão, subsistir.
Prosódicos: pegada, rúbrica, filântropo, por: pegada, rubrica, filantropo.
Semânticos: Tráfico (por tráfego) indígena (como sinônimo de índio, em vez de autóctone).
Morfológicos: cidadões, uma telefonema, proporam, reavi, deteu, por: cidadãos, um telefonema, propuseram, reouve, deteve.
Mórficos: antidiluviano, filmeteca, monolinear, por: antediluviano, filmoteca, unlinear.
OBS.: Diversos autores consideram barbarismo palavras, expressões e construções estrangeiras, mas, nesta apostila, elas serão consideradas "estrangeirismos."
CASO 1
DESINTERIA ou DISENTERIA?
A grafia correta é disenteria. Significados:
1. Síndrome decorrente de inflamação intestinal, que inclui dor abdominal e defecações freqüentes, às vezes com sangue e muco.
2. Disenteria amebiana: A produzida por Entamoeba histolytica.
3. Disenteria bacilar: Doença infecciosa produzida por bactérias do gênero Shigella.
Origem - Do latim dysenteria.
Análise fonética - Di-sen-te-ri-a: palavra paroxítona; en = dígrafo; i-a = hiato; dez letras e nove fonemas.
Análise morfológica - Substantivo primitivo, simples, comum, abstrato, feminino: o disenteria, uma disenteria.
Plural - Disenterias.
Barbarismo - A grafia desinteria constitui barbarismo: vício de linguagem que consiste em alterar, indevidamente, a grafia das palavras.

CASO 2
ESTRUPAR ou ESTUPRAR?
A grafia correta é estuprar. Significados:
VERBO TRANSITIVO DIRETO
1. Cometer estupro contra; violar, ofender, deflorar, desflorar.
Origem - Do latim estuprare.
Análise fonética - Es-tu-prar: palavra oxítona; st e pr = encontros consonantais; oito letras e oito fonemas.
Regência - Verbo transitivo direto: exige complemento sem preposição.
Derivadas - De estuprar, vêm estuprado, estuprada, estuprador e estupro.
Barbarismo - As grafias estrupar, estrupado, estrupada, estrupador e estrupo constituem barbarismo: vício de linguagem que consiste em alterar, indevidamente, a grafia das palavras.
Conjugação - Verbo regular, conjugado em todos os tempos e modos. Veja o presente do indicativo e do subjuntivo.

Eu estupro Que eu estupre
Tu estupras Que tu estupres
Ele estupra Que ele estupre
Nós estupramos Que nós estupremos
Vós estuprais Que vós estupreis
Eles estupram Que eles estuprem
Formas nominais - Estuprando, estuprado, estuprada.

AMBIGÜIDADE OU ANFIBOLOGIA
É o vício de línguagem que consiste em usar diversas palavras na frase de maneira a causar duplo sentido na sua interpretação.
Ex.: Não se convence, enfim, o pai, o filho, amado. O chefe discutiu com o empregado e estragou seu dia. (nos dois casos, não se sabe qual dos dois é autor, ou paciente).
CASO 1
SEU, SUA, DELE, DELA
Quando os possessivos seu, sua, seus, suas derem margem à ambigüidade, devem ser trocados por dele, dela, deles, delas.
Construções certas e erradas:
|e| Você sabe que eu gosto de seu pai, mas recuso-me a seguir a sua opinião.
|c| Você sabe que não gosto de seu pai, mas recuso-me a seguir a opinião dele.
|e| Você e sua mãe me fazem feliz. Sem o seu apoio, eu não sou ninguém.
|c| Você e sua mãe me fazem feliz. Sem o apoio dela, eu não sou ninguém.
|e| Tenho verdadeira admiração por sua mãe, mas sinto que sua admiração por mim é fraca.
|c| Tenho verdadeira admiração por sua mãe, mas sinto que a admiração dela por mim é fraca.
|e| Sinto que você e seu pai me apóiam. Mas preciso acreditar mais no seu empenho.
|c| Sinto que você e seu pai me apóiam. Mas preciso acreditar mais no empenho dele.

CASO 2
ESPERANDO BEBÊ

Frase ambígua - "Depois dos exames, a médica disse-lhe que estava esperando bebê".
Duplo sentido - Nessa construção, não se sabe quem estava esperando bebê. A paciente (que foi submetida a exames) ou a médica?
Correção:
|c| Depois dos exames, a médica informou que a paciente estava esperando bebê.
|c| Submetida a exames, a paciente recebeu da médica a informação de que estava esperando bebê.
|c| Depois de ser submetida a exames, a paciente foi informada pela médica de que estava esperando bebê.
|c| Depois dos exames, a média disse à paciente: "você está esperando bebê".
|c| Depois dos exames, a média disse-lhe: "você está esperando bebê".

CACOFONIA
Vício de linguagem caracterizado pelo encontro ou repetição de fonemas ou sílabas que produzem efeito desagradável ao ouvido. Constituem cacofonias:
A coli
Ex.: Meu Deus não seja já.
O eco
Ex.: Vicente mente constantemente.
o hia
Ex.: Ela iria à aula hoje, se não chovesse
O cacófato
Ex.: Tem uma mão machucada: A aliteração - Ex.: Pede o Papa paz ao povo. O antônimo é a "eufonia".
ECO:
Espécie de cacofonia que consiste na seqüência de sons vocálicos, idênticos, ou na proximidade de palavras que têm a mesma terminação. Também se chama assonância.
Ex.: É possível a aprovação da transação sem concisão e sem associação.
Na poesia, a "rima" é uma forma normal de eco. São expressivas as repetições vocálicas a curto intervalo que visam à musicalidade ou à imitação de sons da natureza (harmonia imitativa); "Tíbios flautins finíssimos gritavam" (Bilac).








CASO 1
BOCA DELA

Expressão que encerra cacofonia (som desagradável proveniente das sílabas finais de uma palavra com as iniciais da seguinte).
Análise fonética - Bo-ca: palavra paroxítona; quatro letras e quatro fonemas. De-la: palavra paroxítona; quatro letras e quatro fonemas.
Análise morfológica - Boca: substantivo primitivo, simples, comum, concreto, feminino. Dela: contração da preposição de com o pronome pessoal reto ela.
Construções certas e erradas:
|e| Logo no primeiro encontro, dei um beijo na boca dela.
|c| Logo no primeiro encontro, dei-lhe um beijo na boca.
|e| Sem querer, bati com a mão na boca dela.
|c| Sem querer, bati-lhe com a mão na boca.
|e| Ficava horas seguidas observando a boca dela.
|c| Ficava horas seguidas observando-lhe a boca.
Observação:
A construção "Dei um beijo na sua boca", tentativa de corrigir "Dei um beijo na boca dela", é uma frustração. Eliminamos um erro (cacofonia) e caímos em outro (ambigüidade). A solução é fazer uso do pronome lhe com valor de possessivo, como fizemos nos exemplos acima.
CASO 2
POR CADA

Expressão que deve ser evitada porque contém cacofonia (som desagradável proveniente das sílabas finais de uma palavra com as iniciais da seguinte). Talvez pela dificuldade de substituí-la, bons escritores já usaram essa expressão.
Análise fonética - Por: monossílabo átono; três letras e três fonemas. Cada: palavra paroxítona; quatro letras e quatro fonemas.
Análise morfológica - Por: preposição. Cada: pronome indefinido.
Construções certas e erradas:
|e| Pagaremos o dobro por cada onça que você matar.
|c| Cada onça que você matar, pagamos o dobro por ela.
|e| Vocês vão ganhar por cada folha digitada.
|c| Vocês vão ganhar por folha digitada.
|e| Não cometam nenhum erro; sou responsável por cada um de vocês.
|c| Não cometam nenhum erro; cada um de vocês está sob minha responsabilidade.
|e| Gosto de todos vocês, tenho admiração por cada um.
|c| Gosto de todos, cada um de vocês tem a minha admiração.
|e| Ainda em vida, você vai pagar por cada maldade que praticou.
|c| Ainda em vida, você vai pagar por todas maldades que praticou.

ARCAÍSMO:
Palavras, expressões, construções ou maneira de dizer que deixaram de ser usadas ou passaram a ter emprego diverso.
Na língua viva contemporânea: asinha (por depressa), assi (por assim) entonces (por então), vosmecê (por você), geolho (por joelho), arreio (o qual perdeu a significação antiga de enfeite), catar (perdeu a significação antiga de olhar), faria-te um favor (não se coloca mais o pronome pessoal átono depois de forma verbal do futuro do indicativo), etc.
VULGARISMO:
É o uso lingüístico popular em contraposição às doutrinas da linguagem culta da mesma região.
O vulgarismo pode ser fonético, morfológico e sintático.
Fonético:
A queda dos erres finais: anda, comê, etc. A vocalização do "L" final nas sílabas.
Ex.: mel = meu , sal = saú etc.
A monotongação dos ditongos.
Ex.: estoura = estóra, roubar = robar.
A intercalação de uma vogal para desfazer um grupo consonantal.
Ex.: advogado = adevogado, rítmo = rítimo, psicologia = pissicologia.
Morfológico e sintático:
Temos a simplificação das flexões nominais e verbais.
Ex.: Os aluno, dois quilo, os homê brigou.
Também o emprego dos pronomes pessoais do caso reto em lugar do oblíquo.
Ex.: vi ela, olha eu, ó gente, etc.
ESTRANGEIRISMO:
Todo e qualquer emprego de palavras, expressões e construções estrangeiras em nosso idioma recebe denominação de estrangeirismo. Classificam-se em: francesismo, italianismo, espanholismo, anglicismo (inglês), germanismo (alemão), eslavismo (russo, polaço, etc.), arabismo, hebraísmo, grecismo, latinismo, tupinismo (tupi-guarani), americanismo (línguas da América) etc...
O estrangeirismo pode ser morfológico ou sintático.
Estrangeirismos morfológicos:
Francesismo: abajur, chefe, carnê, matinê etc...
Italianismos: ravioli, pizza, cicerone, minestra, madona etc...
Espanholismos: camarilha, guitarra, quadrilha etc...
Anglicanismos: futebol, telex, bofe, ringue, sanduíche breque.
Germanismos: chope, cerveja, gás, touca etc...
Eslavismos: gravata, estepe etc...
Arabismos: alface, tarimba, açougue, bazar etc...
Hebraísmos: amém, sábado etc...
Grecismos: batismo, farmácia, o limpo, bispo etc...
Latinismos: index, bis, memorandum, quo vadis etc...
Tupinismos: mirim, pipoca, peteca, caipira etc...
Americanismos: canoa, chocolate, mate, mandioca etc...
Orientalismos: chá, xícara, pagode, kamikaze etc...
Africanismos: macumba, fuxicar, cochilar, samba etc...
Estrangeirismos Sintáticos:
Exemplos:
Saltar aos olhos (francesismo);
Pedro é mais velho de mim. (italianismo);
O jogo resultou admirável. (espanholismo);
Porcentagem (anglicanismo), guerra fria (anglicanismo) etc...
CASO 1
LISTA DE GALICISMOS
Significado:
1. Vício de linguagem que consiste em empregar, na Língua Portuguesa, palavras ou construções próprias da Língua Francesa. O mesmo que francesismo.
2. Expressão ou construção afrancesada.
Origem - Do francês gallicisme.
Análise fonética - Ga-li-cis-mo: palavra paroxítona; sm = encontro consonantal; nove letras e nove fonemas.
Análise morfológica - Substantivo primitivo, simples, abstrato, comum, masculino: o galicismo, um galicismo.
Lista - Segue uma lista dos galicismos mais usados na nossa língua.
FRANCÊS PORTUGUÊS
avalanche avalancha
boite boate
ballet balé
baton batom
bibelot bibelô
bidet bidê
brevet brevê
bouquet buquê
boutique butique
buffet bufê
cabine cabina
champagne champanha
chalet chalé
camionette camioneta (ê)
carnet carnê
chic chique
cognac conhaque
complot complô
coupon cupom, cupão
crepon crepom
crochet crochê
dossier dossiê
édredon edredom
escroc escroque
filet filé
gaffe gafe
garage garagem
garçon garçom, garção
glacé glacê
guichet guichê
guidon guidom, guidão
hachure hachura
maçon maçom
madame madama
mayonnaise maionese
manicure manicura
maquette maqueta (ê)
maquillage maquiagem (melhor) ou maquilagem
marron marrom
matinée matinê
omelette omeleta (melhor) ou omelete
pedicure pedicura
pioerrot pierrô
pivot pivô
popeline popelina
purée purê
raquette raqueta (ê)
rendez-vous rendevu
revanche desforra (ó)
rouge ruge
sabotage sabotagem
toilette toalete
vitrine vitrina






CASO 2
AVALANCHE ou AVALANCHA?

Avalancha é a grafia correta na Língua Portuguesa, e não avalanche. Significados:
1. Massa de neve e gelo que desce, rápida e violenta, pela encosta das altas montanhas.
2. Desmoronamento violento e rápido de uma montanha.
3. Alude (apesar de defendida pelos puristas, tem uso muito restrito).
4. Figurado: Invasão súbita de gente ou de animais.
Análise fonética - A-va-lan-cha: palavra paroxítona; an e ch = dígrafos; nove letras e sete fonemas.
Análise morfológica - Substantivo primitivo, simples, comum, abstrato, feminino: a avalancha, uma avalancha.
Galicismo - O emprego de avalanche no lugar de avalancha constitui galicismo: vício de linguagem que consiste em empregar, na Língua Portuguesa, palavras ou construções próprias da Língua Francesa. O mesmo que francesismo.
|e| Mesmo pela tevê, amedronta-me a violência das avalanches.
|c| Mesmo pela tevê, amedronta-me a violência das avalanchas.
|e| De repente, houve uma avalanche de pessoas no local, causando tumulto.
|c| De repente, houve uma avalancha de pessoas no local, causando tumulto.


SOLECISMOS:
São os erros que atentam contra as normas de concordância, de regência ou de colocação.
Exemplos:
Solecimos de regência:
Ontem assistimos o filme (por: Ontem assistimos ao filme).
Cheguei no Brasil em 1923 (por: Cheguei ao Brasil em 1923).
Pedro visava o posto de chefe (correto: Pedro visava ao posto de chefe).
Solecismo de concordância:
Haviam muitas pessoas na festa (correto: Havia muitas pessoas na festa)
O pessoal já saíram? (correto: O pessoal já saiu?).
Solecismo de colocação:
Foi João quem avisou-me (correto: Foi João quem me avisou).
Me empresta o lápis (Correto: Empresta-me o lápis).
OBSCURIDADE:
Vício de linguagem que consiste em construir a frase de tal modo que o sentido se torne obscuro, embaraçado, ininteligível. Em um texto, as principais causas da obscuridade são: o abuso do arcaísmo e o neologismo, o provincianismo, o estrangeirismo, a elipse, a sínquise (hipérbato vicioso), o parêntese extenso, o acúmulo de orações intercaladas (ou incidentes) as circunlocuções, a extensão exagerada da frase, as palavras rebuscadas, as construções intrincadas e a má pontuação.
Ex.: Foi evitada uma efusão de sangue inútil (Em vez de efusão inútil de sangue).
NEOLOGISMO:
Palavra, expressão ou construção recentemente criadas ou introduzidas na língua. Costumam-se classificar os neologismos em:
Extrínsecos: que compreendem os estrangeirismos.
Intrínsecos: (ou vernáculos), que são formados com os recursos da própria língua. Podem ser de origem culta ou popular.
Os neologismos de origem culta subdividem-se em:
Científicos ou técnicos: aeromoça, penicilina, telespectador, taxímetro (redução: táxi), fonemática, televisão, comunista, etc...
Literários ou artísticos: olhicerúleo, sesquiorelhal, paredro (= pessoa importante, prócer), vesperal, festival, recital, concretismo, modernismo etc...
OBS.: Os neologismos populares são constituídos pelos termos de gíria. "Manjar" (entender, saber do assunto), "a pampa", legal (excelente), Zico, biruta, transa, psicodélico etc...
PRECIOSISMO:
Expressão rebuscada. Usa-se com prejuízo da naturalidade do estilo. É o que o povo chama de "falar difícil", "estar gastando".
Ex.: "O fulvo e voluptoso Rajá celeste derramará além os fugitivos esplendores da sua magnificência astral e rendilhara d’alto e de leve as nuvens da delicadeza, arquitetural, decorativa, dos estilos manuelinos."
OBS.: O preciosismo também pode ser chamado de PROLEXIDADE.
PLEONASMO:
Emprego inconsciente ou voluntário de palavras ou expressões involuntárias, desnecessárias, por já estar sua significação contida em outras da mesma frase.
O pleonasmo, como vício de linguagem, contém uma repetição inútil e desnecessária dos elementos.
Exemplos:
Voltou a estudar novamente.
Ele reincidiu na mesma falta de novo.
Primeiro subiu para cima, depois em seguida entrou nas nuvens.
O navio naufragou e foi ao fundo. Neste caso, também se chama perissologia ou tautologia.
CASO 1
EIS AQUI
Eis aqui é expressão redundante. Eis (advérbio) é sinônimo de aqui está.
Análise fonética - Eis: palavra oxítona; ei = ditongo decrescente oral; três letras e três fonemas. A-qui: palavra oxítona; qu = dígrafo; quatro letras e três fonemas.
Análise morfológica - Eis: advérbio. Aqui: advérbio de lugar.
Construções certas e erradas:
|e| Eis aqui os objetos que desapareceram.
|c| Eis os objetos que desapareceram.
|c| Aqui estão os objetos que desapareceram.
|e| Eis aqui a solução para os nossos problemas financeiros.
|c| Eis a solução para os nossos problemas financeiros.
|c| Aqui está a solução para os nossos problemas financeiros.
|e| Eis aqui a relação dos que estão em dia com o clube.
|c| Eis a relação dos que estão em dia com o clube.
|c| Aqui está a relação dos que estão em dia com o clube.
CASO 2
VOLTAR PARA TRÁS e VOLTAR ATRÁS

Voltar atrás - É expressão correta no sentido de mudar de idéia ou de opinião; desfazer (o que fora feito); arrepender-se, desistir.
Exemplos:
1. Ela disse que ia pedir demissão, mas voltou atrás.
2. Disse que não aceitava receber comissão, mas depois voltou atrás.
3. Ela tem mania de voltar atrás nas decisões que toma.
Voltar para atrás - É expressão redundante; deve ser evitada.
Exemplos:
1. Não me siga; volte para trás! (errado)
2. Não me siga; volte! (certo)
3. Siga em passo acelerado e não volte para trás. (errado)
4. Siga em passo acelerado e não volte. (certo)

As atividades abaixo poderão ser utilizadas em todos os anos do Ensino Médio




Letras de músicas com comentários gramaticais


DEIXO (Sérgio Passos e Jorge Papapá)
Música Deixo
Autores Sérgio Passos e Jorge Papapá
Intérprete Ivete Sangalo
Comentários João Batista Gomes (batista@linguativa.com.br)

Eu me lembro sempre onde quer que eu vá
Só um pensamento em qualquer lugar
Só penso em você
Em querer te encontrar
Só penso em você
Em querer te encontrar

Lembro daquele beijo que você me deu
E que até hoje está gravado em mim
E quando a noite vem
Fico louco pra dormir
Só pra ter você nos meus sonhos
Me falando coisas de amor


Sinto que me perco no tempo
Debaixo do meu cobertor
Eu faria tudo pra não te perder
Assim
Mas o dia vem e deixo você ir
Deixo você ir
Deixo você ir
Deixo você ir
Deixo você ir


COMENTÁRIO GRAMATICAL
1. ONDE e AONDE
O verbo ir ( deslocar-se de um lugar para outro) exige preposição "a". Por isso, a construção correta é "Eu me lembro sempre aonde quer que eu vá". A alteração de "onde" para "aonde", convenhamos, respeitaria a norma culta da língua escrita e não faria nenhum mal ao ritmo.

2. QUERER TE ENCONTRAR
Vejamos a construção completa: "Só penso em querer te encontrar". Temos três orações, assim classificadas:
a) "Só penso" = principal.
b) "em querer" = subordinada substantiva objetiva indireta reduzida de infinitivo.
c) "te encontrar" = subordinada substantiva objetiva direta reduzida de infinitivo.
Depois de entendida a estrutura do período, podemos afirmar: a melhor posição do pronome "te" é após "encontrar". Mas é importante reconhecer que esse modelo de colocação pronominal adotado pelos autores combina com o falar cotidiano do povo brasileiro.
3. LEMBRO DAQUELE BEIJO
O verbo lembrar-se (ter lembrança; recordar-se) é transitivo indireto (exige complemento regido pela preposição "de"). A construção correta é, pois, "Lembro-me daquele beijo que você me deu". Além de correta, a construção faria par com o primeiro verso do poema: "Eu me lembro sempre..."
4. ME FALANDO
Falar coisas de amor é uma necessidade do ser humano. E para dar provas de que é "humano" e "brasileiro", convém não começar frase com pronome pessoal átono. A construção correta é "Falando-me coisas de amor".
5. PRA ou PARA?
Não se pode ignorar: há muito, o brasileiro de todos os níveis faz a contração da preposição "para". O uso das formas "pra", "pro", "pras", "pros", embora condenada pelos puristas, tem uso generalizado.
6. TE ou VOCÊ?
O que a norma culta da língua exige é uniformidade. Uma vez iniciada uma frase, ou um poema, deve-se primar pelo paralelismo. Na primeira estrofe do poema, os autores usam o pronome "você": "Só penso em você". Ainda na mesma estrofe, verifica-se a falta de paralelismo: "Em querer te encontrar". Já que a intenção dos autores é fazer uma letra popular, o pronome adequado é "você". Vejamos o poema inteiro com um tratamento uniforme:

Eu me lembro sempre onde quer que eu vá
Só um pensamento em qualquer lugar
Só penso em você
Em querer encontrá-la
Só penso em você
Em querer encontrá-la

Lembro daquele beijo que você me deu
E que até hoje está gravado em mim
E quando a noite vem
Fico louco pra dormir
Só pra ter você nos meus sonhos
Me falando coisas de amor


Sinto que me perco no tempo
Debaixo do meu cobertor
Eu faria tudo pra não a perder
Assim
Mas o dia vem e deixo você ir

Deixo você ir
Deixo você ir
Deixo você ir
Deixo você ir

AMIGO APAIXONADO (Victor Chaves)
Música Amigo apaixonado
Autor Victor Chaves
Intérpretes Victor e Leo
Comentários João Batista Gomes (batista@linguativa.com.br)


Pensando bem, eu gosto mesmo de você
Pensando bem, quero dizer
Que amo ter te conhecido
Nada melhor que eu deixar você saber
Pois é tão triste esconder
Um sentimento tão bonito

Hoje mesmo vou te procurar
Falar de mim
Sei que nem chegou a imaginar
Que eu pudesse te amar tanto assim


Refrão:
Sempre fui um grande amigo seu
Só que não sei mais se assim vai ser
Sempre te contei segredos meus
Estou apaixonado por você

Esse amor entrou no coração
Agora diz o que é que a gente faz
Pode dizer sim ou dizer não
Ser só seu amigo não dá mais

COMENTÁRIO GRAMATICAL
1. TE ou VOCÊ?
A letra (como quase todas) exibe a mistura de "te" e "você". Logo no primeiro verso, o autor faz opção pelo tratamento "você": "Pensando bem, eu gosto mesmo de você". Se houvesse senso de paralelismo, todo o resto do poema combinaria com o tratamento inicial. Vejamos uma versão com tratamento uniforme. As adaptações aparecem em vermelho.
Pensando bem, eu gosto mesmo de você
Pensando bem, quero dizer
Que amo tê-la conhecido
Nada melhor que eu deixar você saber
Pois é tão triste esconder
Um sentimento tão bonito

Hoje mesmo vou procurá-la
Falar de mim
Sei que nem chegou a imaginar
Que eu pudesse amá-la tanto assim

Refrão:
Sempre fui um grande amigo seu
Só que não sei mais se assim vai ser
Sempre lhe contei segredos meus
Estou apaixonado por você

Esse amor entrou no coração
Agora diz o que é que a gente faz
Pode dizer sim ou dizer não
Ser só seu amigo não dá mais
2. MESMO
O autor usou acertadamente o vocábulo "mesmo" duas vezes, com valor de advérbio. No verso 1, "mesmo" equivale a "realmente", "de verdade". No primeiro verso da segunda estrofe, "mesmo" tem valor de "ainda".
3. O QUE É QUE A GENTE FAZ
Na construção, a expressão "é que" é expletiva, ou seja, apenas realça a construção. As palavras ou expressões expletivas não constituem defeito, mas qualidade da frase. É recurso estilístico usado por todos os autores.
O emprego de "a gente" no lugar de "nós" faz parte da tradição oral. O que se condena, quando ocorre, é a silepse. Muitos escrevem "O que é que a gente fazemos", aplicando uma concordância ideológica que agride a norma culta da língua.
4. PENSANDO BEM
A oração reduzida de gerúndio "pensando bem", usada duas vezes na primeira estrofe, sugere condição (equivale a "se eu pensar bem"). Classificação: oração subordinada adverbial condicional reduzida de gerúndio.
5. SEI QUE...
Os dois versos seguintes exibem os verbos SABER e IMAGINAR com os complementos representados por uma oração subordinada:
Sei que nem chegou a imaginar
Que eu pudesse te amar tanto assim
A oração "que nem chegou a imaginar" é substantivo objetiva direta (completa o sentido de "sei").
A oração "que eu pudesse te amar tanto assim" é substantivo objetiva direta (completa o sentido de "imaginar").

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